Talvez heresia e fake news tenham algo em comum.
As duas nascem quando a verdade é reorganizada.
Nem sempre pela mentira completa. Muitas vezes pela meia verdade, pelo recorte, pela narrativa e pela repetição.
Uma fake news normalmente distorce fatos do mundo visível.
Uma heresia pode distorcer verdades do mundo espiritual.
E ambas possuem um poder enorme, porque os seres humanos não vivem apenas pelos fatos. Vivemos também pelas histórias que contamos sobre eles.
Mas existe uma pergunta delicada aqui:
Quem decide o que é heresia?
E quem decide o que é fake news?
Quem decide o que é verdade?
Ao longo da história, instituições religiosas, governos e grupos humanos frequentemente assumiram esse papel.
Às vezes para conter erros reais.
Outras vezes, porém, protegendo narrativas, interesses e estruturas já estabelecidas.
É aqui que surge algo silencioso e perigoso: a inveja.
A palavra inveja vem do latim invidere — olhar contra.
Talvez por isso a inveja nem sempre seja apenas querer possuir o que o outro tem. Às vezes ela é a dificuldade de enxergar e reconhecer.
Onde existe inveja, a verdade deixa de ser buscada e começa a ser disputada.
Narrativas passam a defender posições, territórios e poderes.
“Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males.”
Tiago 3:16
Mas existe um Legislador e Juiz acima dos homens.
“Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir.”
Tiago 4:12
Isso não significa que o homem não possa discernir.
Significa apenas que discernir não é possuir a verdade.
É buscá-la com humildade.
Talvez seja por isso que Jesus não nos convidou para uma ideologia, mas para um Caminho.
Os primeiros discípulos eram conhecidos exatamente assim: os do Caminho.
Porque a verdade não existe para ser dominada ou usada contra o outro.
Ela existe para libertar.
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Bom dia Airton , Cristo nos ensinou o caminho