Será que me tornei um chato?

Será que me tornei um chato?

Será que me tornei um chato?

Será que me tornei um chato?

Sim, Jesus disse que a verdade seria rejeitada. Sim, Ele alertou que os seus seriam perseguidos, insultados, caluniados por causa da justiça. Mas… Ele nunca disse que toda rejeição seria sinal de fidelidade.

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça…” — não por causa da vaidade, da arrogância ou da imposição disfarçada de zelo.

Ultimamente tenho me perguntado: será que me tornei um chato? Será que, na ânsia de compartilhar o que é precioso para mim, estou impondo o que deveria apenas ser vivido?

Desde criança, sempre gostei de dividir coisas boas com os outros. Se descobria algo legal, mostrava aos colegas. Era natural. E talvez ainda seja. Mas quando conheci a Bíblia, esse desejo ganhou um peso. Como se agora eu tivesse não só algo bom, mas algo eterno. E com isso… veio a tentação de transformar partilha em insistência.

Passei anos compartilhando versículos, ideias, interpretações — muitas vezes com boa intenção, sim, mas também com certa pressa, certa soberba, certa carência de ser reconhecido por ter “visto algo”. E quando as pessoas se afastavam, eu me consolava: “É a verdade que incomoda. Jesus também foi rejeitado.”

Mas agora me pergunto com mais sinceridade:

“O que está sendo rejeitado: a verdade do Espírito ou a minha vaidade travestida de sabedoria bíblica?”

Jesus foi rejeitado. Mas também foi seguido. Ele era procurado pelos simples, pelos quebrados. E não porque citava a Escritura a cada frase — mas porque encarnava a Palavra.

A verdade não precisa ser empurrada. Ela atrai quando vem embalada em humildade. Quando não busca impressionar. Quando não tem pressa de convencer.

A verdade é viva. Mas se vier com arrogância, perde o brilho. Se vier com imposição, fecha portas.

Eu ainda creio que vale a pena compartilhar. Mas hoje acredito que compartilhar a Boa Nova é viver a Boa Nova. Não apenas citá-la. É deixar que o outro perceba, em silêncio, o que está sendo formado em mim.

Jesus não disse: “Bem-aventurados os chatos”. Ele disse: “Bem-aventurados os pacificadores”.

E pacificar não é vencer debates. É carregar em si a paz de Deus — e repartir.

Se a minha presença comunica o Reino antes da minha fala, talvez eu ainda esteja no caminho. Talvez eu não tenha me tornado um chato.

Ou talvez tenha… mas ainda é tempo de voltar a ser apenas um discípulo, uma testemunha, um irmão.

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