Entender com o coração

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Entender com o coração

Entender com o coração

Durante o tempo da pandemia — e bem depois dela — a pequena igreja que cuido ficou quase vazia. Chegamos a ter reuniões com duas ou três pessoas apenas. E mesmo assim, seguíamos. Toda semana. Sem desistir.

Faz tempo que não prego mais como antes. Hoje eu converso. Pergunto. Escuto. Compartilho mais do que ensino. E, por incrível que pareça, nesse tempo de tão pouca gente, passamos quase dois anos falando sobre o mesmo assunto, semana após semana.

No fim de cada reunião, eu costumava perguntar:
“E aí, o que tocou vocês hoje?”

E as respostas vinham, doces e surpresas:
“Pastor, que coisa linda… eu nunca tinha ouvido isso!”

E eu pensava:
“Mas eu tenho falado isso faz dois anos…”

Uma das pessoas que dizia isso é bastante querida e fiel, com muitos anos de igreja.
E sabe o que é mais bonito?
Hoje ela descobriu. Hoje ela entendeu. Hoje ela foi liberta.

É lindo ver, na simplicidade dela, o brilho de uma nova visão.
A alegria de quem, enfim, está enxergando.
Não porque alguém explicou melhor — mas porque o Espírito tocou.

Isso me ensinou que a palavra só entra quando o ouvido se abre.
E o ouvido só se abre quando o coração se aquieta.
E o coração só se aquieta quando o Espírito tem liberdade.

Mas essa realidade não está só dentro da igreja.
Aqui fora, no dia a dia, com amigos e pessoas muito cultas, acontece o mesmo. Conversamos sobre coisas profundas, simples, verdadeiras. A pessoa se encanta, se comove… mas dois dias depois, nem lembra mais.

Não é falta de inteligência.
É excesso de distração.
Vivemos num mundo em que quase nada permanece.
Porque quase ninguém escuta com o coração.

Durante anos, também compartilhei essas verdades com meus irmãos de sangue. Com todo amor. Mas confesso: em muitos momentos, sentia que causava enfado. Como se minhas conversas fossem pesadas demais, entediantes até.

E então, de alguns meses pra cá, tudo começou a mudar.

Recebi uma mensagem de um deles que me tocou profundamente. Dizia mais ou menos assim:

“Confesso que no início achava entediante seus textos e conversas (devido à falta de conhecimento), e você ainda pedia a minha opinião… Hoje, tudo está se clareando cada vez mais, e os seus textos têm me ajudado muito. Obrigada, mano.”

Isso me fez chorar em silêncio.
Não de tristeza, mas de gratidão.
Porque a semente que parecia esquecida… germinou.

Por isso seguimos — com paciência, com amor — repetindo as mesmas verdades.
Porque quando o ouvido se abre… tudo é novo.
Mesmo aquilo que tem sido dito há anos.

Esses últimos meses me fizeram enxergar algo novo também sobre a parábola do semeador.

Sempre ouvi dizer que os diferentes solos representavam diferentes tipos de pessoas. Mas hoje vejo que os quatro solos também podem representar diferentes momentos de uma mesma pessoa. Um coração que um dia foi endurecido como beira de caminho, pode mais adiante estar cheio de pedras, depois sufocado por espinhos… até que, por fim, torne-se solo fértil.

O que muda? O tempo. O processo. A obra silenciosa de Deus.

Não é só sobre o tipo de solo. É também sobre a época do plantio. E sobre a paciência do semeador, que lança a semente mesmo quando plantado no pó.

Porque no tempo certo, até a semente antiga brota.
E o que parecia perdido, floresce.

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Você Ama o Amor? Você Ama o Amor?

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