Eu sou um terrorista?

Eu sou um terrorista?

Eu sou um terrorista?

Eu sou um terrorista?

Eu sou um terrorista?

Explodindo as bombas do ódio e do cancelamento dentro de nós

Introdução — um título provocativo

Quando você lê este título, talvez pense apenas em violência, bombas ou ódio. Mas “terrorista” aqui significa também desejar ou celebrar a morte de alguém. Falo de algo muito mais íntimo: explodir dentro de mim as bombas do ódio, da intolerância e do cancelamento para abrir espaço ao amor que transforma.

Essa reflexão nasceu de várias conversas recentes — sobre o livro Filho do Hamas, sobre o assassinato de Charlie Kirk, sobre redes sociais e polarização política. Em todas essas situações vi o mesmo mecanismo: não suportamos sequer ouvir o outro. Cancelamos, rotulamos, desumanizamos. E me perguntei: Será que eu também não carrego essa semente?

O espírito do terrorismo sem bombas

Terrorismo clássico é usar violência física para causar medo e impor uma agenda. Mas existe um “terrorismo simbólico”: quando cancelamos, humilhamos, desejamos a morte ou celebramos a destruição do outro. É o que J.K. Rowling escreveu em um post que circulou recentemente:

“Se você acredita que a liberdade de expressão é para você, mas não para seus oponentes políticos, você é antiliberal.
Se nenhuma evidência contrária puder mudar suas crenças, você é um fundamentalista.
Se você acredita que o Estado deve punir aqueles com opiniões contrárias, você é um totalitário.
Se você acredita que oponentes políticos devem ser punidos com violência ou morte, você é um terrorista.”

Esse texto é um espelho incômodo. Ele mostra que o caminho para o ódio não tem lado único — qualquer pessoa pode cair nele.

Exemplos do mundo real

  • Charlie Kirk: comentarista conservador assassinado nos EUA. Nas redes, milhares celebraram sua morte. Essa celebração é um tipo de “terrorismo psicológico”: desumanizar o outro até achar legítimo o seu fim.
  • Redes sociais: aplaudem o cancelamento. Cada grupo se sente moralmente superior e transforma o outro em inimigo. O cancelamento parece inofensivo, mas no extremo é linchamento simbólico — e todo linchamento simbólico é um passo para a violência real.
  • Ocidente “cristão”: fala em liberdade, mas muitas vezes deseja eliminar o oponente, seja política, social ou religiosamente. O nome é cristão; a prática é intolerante.

Exemplos pessoais

Vi isso acontecer de perto. Ao comentar com um amigo sobre o livro Filho do Hamas, expliquei a conclusão do filho: o pai era um líder respeitado e amado por todos que o conheciam, mas preso a uma ideologia que defendia eliminar Israel. Meu amigo tinha demonstrado interesse pelo livro, mas se fechou imediatamente e rejeitou o assunto ao ouvir que o pai era contra a violência, exceto a violência contra Israel. E eu não estava acusando ou defendendo nada, mas apenas comentando um fato com alguém de posicionamento ideológico semelhante ao meu!?

Outra vez, compartilhei artigos com um amigo com posicionamento político diferente do meu. Ele argumentou, argumentou, e por fim saiu do grupo indignado, sem suportar ouvir posições contrárias.

Essas experiências me fizeram pensar: Quantas vezes eu também não ajo assim? Quantas vezes cancelo, fujo ou rotulo?

Ao ler Filho do Hamas, comecei a entender a mentalidade de um terrorista. Percebi que, com essa mentalidade, jamais haverá paz enquanto Israel existir — não é apenas uma questão de território, como muitos no Ocidente pensam, mas uma questão de mentalidade. E esse é exatamente o risco que todos nós corremos: porque no fundo ninguém se acha terrorista, mas, à luz das sábias palavras de J.K. Rowling, muitos cristãos também apresentam uma mentalidade terrorista. Quando cancelamos, quando odiamos, quando desejamos a morte simbólica ou literal do outro, estamos repetindo a mesma lógica, apenas em outro nível.

A Bíblia como luz

  • Tiago 1:20 — “A ira do homem não produz a justiça de Deus”.
  • Lucas 23:34 — “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo”.
  • Mateus 5:44 — “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem”.

Pilatos percebeu que Jesus foi entregue por inveja (Mt 27:18). Inveja vem do latim invidere: não querer ver, não suportar ver. Hoje também não suportamos sequer ver a opinião contrária. O espírito que cancelou e crucificou Jesus ainda age quando eliminamos ou desumanizamos quem pensa diferente de nós.

O verdadeiro “terrorista” segundo esta metáfora

Ser “terrorista” aqui não significa fazer o mal em nome do bem. Pelo contrário: é explodir dentro de si mesmo as bombas do ódio, da intolerância e do cancelamento, para abrir espaço ao amor e à reconciliação:

  • a bomba da inveja,
  • a bomba do orgulho,
  • a bomba da intolerância,
  • a bomba do cancelamento.

É desarmar o coração para o Espírito Santo trabalhar. É recusar o caminho espaçoso da raiva e escolher o caminho apertado do amor.

Cuidados práticos

  • Ouvir antes de reagir.
  • Reconhecer a humanidade do outro, mesmo discordando.
  • Orar por quem discorda de você.
  • Confrontar ideias sem atacar pessoas.
  • Lembrar que Jesus morreu também por quem você chama de inimigo.

Portanto, deixe o Espírito Santo colocar as palavras na sua mensagem, falada ou escrita, permitindo assim a sua própria transformação. Pois é a bondade de Deus que nos conduz à mudança de mentalidade, e somente o Espírito Santo pode convencer o outro.

Clímax — o caminho verdadeiro

Jesus disse: “Eu sou o Caminho” (Jo 14:6), e o apóstolo Paulo nos lembra de um “Caminho ainda mais excelente” (1Co 12:31) — o caminho do amor.

Nascemos para andar por esse caminho, não seguindo a maioria. E não há caminho alternativo que passe pela morte do outro para quem crê na Palavra de Deus. O caminho verdadeiro passa pela cruz — mas é a cruz do ego, da intolerância e do ódio. O caminho verdadeiro é o caminho do amor, da reconciliação e da vida.

Conclusão inspiradora

Vivemos num mundo em que todos se acham certos, e todos cancelam os outros. Nosso chamado é para andar pelo caminho mais excelente: amar os inimigos, perdoar os que nos ferem, ver a humanidade no adversário.

Ser um “terrorista” nesta metáfora — ou, melhor dizendo, um desarmador de bombas espirituais — é detonar as bombas do ódio dentro de si, não explodir os outros. Esse é o caminho do Cristo formado em nós.

Resumo da mensagem

  • Não há Evangelho que autorize desejar ou celebrar a morte do outro.
  • Não há Cristianismo verdadeiro que se alimente de cancelamento.
  • O verdadeiro poder está em morrer para si mesmo, não em matar ou mesmo celebrar a morte do outro.
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7 Comments

  1. Luiz Augusto disse:

    Compartilho o pensamento da paz e da misericórdia. Entretanto, perdoar, exercer misericórdia, não exime o criminoso de responder por seus crimes.
    Como fica o juiz cristão e misericordioso quando, em exercício de sua profissão, deve julgar e estabelecer penas aos transgressores?
    Muitas vezes o melhor a fazer é excluir o cidadão do convívio com as crianças e pessoas honestas.
    Ainda está nas mãos de homens controlar o convívio entre os homens. Entretanto deve-se agir sem ódio, sem sentimento de vingança ou retaliação.
    Há sempre uma linha tênue entre punir ou corrigir, restaurar ou destruir.
    Jesus nos trouxe a oportunidade de sermos transformados mas nos lembrou que haverá julgamento.

  2. Carolina Vila Nova disse:

    Muito bom, Airton! Na Alemanha, quando convivi com diferentes nacionalidades e crenças, tive que lidar com esses temas e só anos depois, vim a perceber o quanto precisava eliminar a terrorista em mim. Maturidade leva tempo….
    Parabens pelo texto!

    • Airton Humber disse:

      Compreendo perfeitamente a sua importante percepção a seu próprio respeito.
      É um desafio muito grande que poucos ousam enfrentar.
      Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.

  3. Nadir Humber disse:

    Excelente e oportuno texto! Creio que este é o momento para examinarmos o nosso íntimo, explodirmos nossas bombas internas e buscar o caminho do amor e da paz.

    • Airton Humber disse:

      Sim, não só no Brasil como em diversas outras nações, estamos enfrentando a mesma situação.

      • Rafael Donola disse:

        Texto excelente, eu compartilho do pensamento, maturidade e equilíbrio, maturidade para ouvir tudo e a todos, e equilíbrio para saber como responder, num contexto quase que geral, as pessoas se blindam ao novo.

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