A Glória dos Filhos

A Glória dos Filhos

A Glória dos Filhos

A Glória dos Filhos

Uma reflexão simples sobre a glória de Deus, a bondade do Senhor, o Espírito Santo e Cristo sendo formado nos filhos.

Onde tudo começou

Talvez a glória de Deus seja um dos temas mais bonitos — e menos compreendidos — da Bíblia.

Quando ouvimos a palavra glória, normalmente pensamos em brilho, majestade ou poder.

Mas tudo começou a mudar quando Salomão escreveu algo aparentemente simples:

“Os filhos dos filhos são a coroa dos velhos, e a glória dos filhos são os pais.”

Provérbios 17:6

Talvez ali já estivesse escondido um fio silencioso que atravessa toda a Escritura.

A glória dos filhos são os pais.

Os filhos revelam de onde vieram.

A sua identidade, o seu jeito de viver, o seu caráter e até sua linguagem costumam carregar marcas daquilo que receberam.

Talvez por isso a Bíblia trate a glória de forma tão diferente do pensamento humano.

Porque, normalmente, nós associamos glória a reconhecimento, força ou exaltação.

Mas a Escritura parece apontar para outra direção.

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Moisés pede a glória

Moisés pediu algo extraordinário:

“Rogo-te que me mostres a tua glória.”

Êxodo 33:18

E a resposta de Deus é surpreendente.

Moisés pede glória.

Mas Deus responde:

“Farei passar toda a minha bondade diante de ti…”

Êxodo 33:19

Isso é profundamente bonito.

Porque Deus não começa revelando poder, exércitos ou grandeza exterior.

Ele revela misericórdia, bondade, compaixão e senhorio.

E acrescenta algo difícil para o coração humano aceitar:

“Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.”

Êxodo 33:19

Porque Ele é o Senhor.

Talvez aqui exista uma chave importante.

A glória de Deus não parece separada do seu próprio ser.

Moisés pediu glória.
Deus revelou bondade, misericórdia e senhorio.

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O Filho revela a glória

Por isso Hebreus afirma:

“Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser…”

Hebreus 1:3

O Filho não apenas possui glória.

O Filho revela a glória.

Jesus Cristo é o resplendor da glória e a expressão exata do Pai.

Talvez por isso João diga:

“E vimos a sua glória…”

João 1:14

E logo explica:

“…cheio de graça e de verdade.”

João 1:14

Não apenas poder.

Graça e verdade.

A glória de Deus começa a se tornar mais clara quando deixamos de procurá-la apenas no brilho exterior e passamos a percebê-la na revelação do próprio ser de Deus.

Cristo é a glória do Pai revelada em forma humana.

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A bondade conduz ao arrependimento

Talvez seja exatamente por isso que Jesus inicia sua pregação dizendo:

“Arrependei-vos…”

Mateus 4:17

E Paulo, mais tarde, explica algo extraordinário:

“A bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento.”

Romanos 2:4

Isso muda profundamente nossa percepção.

O arrependimento não parece nascer principalmente do medo.

Mas do encontro com a bondade do Senhor.

Talvez agora possamos compreender melhor o pedido de Moisés:

“Peço-te que me mostres a tua glória.”

Êxodo 33:18

E a resposta do Senhor:

“Farei passar toda a minha bondade diante de ti.”

Êxodo 33:19

Moisés pediu para ver a glória.

Deus respondeu revelando a sua bondade.

Séculos depois, Davi, chamado homem segundo o coração de Deus, declara:

“Creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes.”

Salmo 27:13

Talvez não seja coincidência.

Um homem segundo o coração de Deus não buscava apenas livramento, vitória ou proteção.

Davi desejava ver o Senhor.

Desejava contemplar a sua beleza.

Desejava reconhecer a sua presença no meio da vida.

E, ao falar da bondade do Senhor, Davi parece tocar o mesmo mistério revelado a Moisés.

Ver a bondade do Senhor
é, de alguma forma,
ver a própria glória de Deus.

A glória de Deus não é apenas uma manifestação de poder.

A glória de Deus é a sua bondade se tornando visível.

Por isso, ver a bondade do Senhor na terra dos viventes é, de alguma forma, ver a própria glória de Deus.

E então tudo começa a conversar.

Moisés pede a glória.

Deus revela bondade.

Davi espera ver a bondade do Senhor na terra dos viventes.

A bondade conduz ao arrependimento.

Jesus chama ao Reino.

O arrependimento começa a deixar de ser apenas consciência de culpa e passa a ser mudança de mente diante da bondade, da verdade e do senhorio de Deus.

Talvez por isso Paulo fale da liberdade da glória dos filhos de Deus: filhos que aprenderam a reconhecer, receber e manifestar essa bondade.

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Jesus Cristo é o Senhor

Paulo declara:

“Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.”

Filipenses 2:11

E ainda:

“O Senhor é o Espírito.”

2 Coríntios 3:17

Talvez seja aqui que o tema da glória se torne ainda mais bonito.

Porque Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai.

E o Espírito enviado por Jesus é o Senhor operando em nós.

Não é o ego.

Não é a religião.

Não é o esforço humano tentando fabricar santidade.

É o Senhor operando tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua boa vontade.

Ele é o Senhor.
A misericórdia é dele.
A glória é dele.

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Transformados de glória em glória

Paulo continua:

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando… a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória…”

2 Coríntios 3:18

A glória não parece ser apenas algo contemplado.

Ela parece ser também algo que nos transforma.

Não instantaneamente.

Mas de glória em glória.

Talvez por isso as Escrituras falem tanto de perseverança, amadurecimento e transformação.

Contemplar a glória do Senhor não é apenas admirar algo distante.

É permanecer diante dele com o rosto desvendado, permitindo que o Espírito forme Cristo em nós.

A glória contemplada se torna transformação.
E a transformação revela Cristo.

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Provações, perseverança e maturidade

Paulo chega a dizer:

“Nos gloriamos nas próprias tribulações.”

Romanos 5:3

E Tiago escreve:

“Tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações…”

Tiago 1:2

Não porque sofrimento seja bom.

Mas porque, guiados pelo Espírito, até as provações podem amadurecer o homem.

Produzir perseverança.

Caráter aprovado.

Mente renovada.

Talvez seja exatamente isso que Romanos 12 descreve:

“Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…”

Romanos 12:2

Não se conformar com este mundo é não reagir mais segundo o ego, segundo a aparência, segundo a necessidade de controle ou segundo a glória dos homens.

É ser transformado pela renovação da mente.

É permanecer sob o senhorio do Espírito.

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O fruto do Espírito

Então o fruto do Espírito começa a amadurecer.

Não frutos separados.

Mas um único fruto.

O amor recebido de Deus gera alegria, paz, paciência e benignidade.

Então surge a bondade.

E talvez a bondade seja a primeira expressão do fruto que claramente alcança o outro.

Não dependendo da atitude do outro.

Mas devolvendo aquilo que recebeu do Senhor.

Depois vem a fidelidade.

Fidelidade ao processo.

Fidelidade ao Espírito.

Fidelidade ao amadurecimento.

E isso nos conduz à mansidão.

O ego vai perdendo dureza.

Vai sendo amansado.

Até chegar ao domínio próprio.

Talvez não apenas autocontrole humano.

Mas senhorio.

Cristo em nós.

Tiago então parece fechar o processo:

“Se alguém não tropeça no falar, é perfeito…”

Tiago 3:2

Perfeito aqui não parece significar impecável.

Mas maduro.

Completo.

A estatura do homem amadurecido.

A estatura do varão perfeito.

O ego perde o governo.
Cristo ganha expressão.

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A Glória dos Filhos e o Pai

E talvez então voltemos ao ponto onde tudo começou.

Salomão escreveu:

“Os filhos dos filhos são a coroa dos velhos, e a glória dos filhos são os pais.”

Provérbios 17:6

Os pais são a glória dos filhos.

E os filhos dos filhos são a coroa dos pais.

A vida continua.

Mas talvez Jesus tenha acrescentado aqui uma camada ainda mais profunda.

“A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus.”

Mateus 23:9

Jesus não parece negar os pais terrenos.

O próprio mandamento continua:

honra teu pai e tua mãe.

Mas ele reposiciona algo muito importante:

a origem da Vida,

a verdadeira filiação

e a fonte da glória.

Talvez por isso exista aqui algo profundamente bonito:

Deus não tem netos.

E talvez Paulo esteja apontando exatamente para isso quando fala da:

“liberdade da glória dos filhos de Deus.”

Romanos 8:21

Não a glória do ego.

Mas a liberdade dos filhos que já não vivem presos à vaidade, à corrupção e à escravidão do próprio eu.

Filhos guiados pelo Espírito.

Filhos nos quais Cristo começa a ser revelado.

Cada geração é chamada ao arrependimento, ao Espírito e à filiação.

Não vivemos apenas da revelação do outro.

Somos chamados a nascer do Espírito.

E talvez seja exatamente aqui que a glória volte a aparecer.

O Pai revela sua glória no Filho.

O Filho envia o Espírito.

O Espírito forma Cristo nos filhos.

E os filhos revelam a glória do Pai.

Não glória própria.

Não ego espiritualizado.

Mas Cristo sendo revelado.

A glória dos filhos encontra seu centro no Pai.
O Filho revela o Pai.
E o Espírito forma Cristo nos filhos.

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Fechamento

Talvez por isso tudo seja tão simples — e, ao mesmo tempo, tão oculto aos nossos olhos.

Passamos muitos anos procurando a glória em lugares altos, em poder, em reconhecimento ou em manifestações extraordinárias.

Mas Moisés pediu a glória e encontrou a bondade do Senhor.

O Filho revelou a glória do Pai.

O Espírito continua formando Cristo.

E nós, com o rosto desvendado, contemplando a glória do Senhor, vamos sendo transformados, de glória em glória.

Não de maneira instantânea.

Mas no caminho.

Nas misericórdias de Deus.

Nas provações.

Na perseverança.

Na mente renovada.

No fruto que amadurece.

Na bondade que alcança o outro.

Na fidelidade que permanece.

Na mansidão que amansa o coração.

E no domínio próprio que revela senhorio.

Talvez seja exatamente por isso que Salomão escreveu:

“Os filhos dos filhos são a coroa dos velhos, e a glória dos filhos são os pais.”

Provérbios 17:6

A vida continua.

O Pai revela sua glória no Filho.

O Filho envia o Espírito.

O Espírito forma Cristo nos filhos.

E assim, pouco a pouco, a glória de Deus volta a ser percebida sobre a terra.

Não como brilho do ego.

Mas como Cristo revelado em seres humanos comuns guiados pelo Espírito Santo.

A glória de Deus:
Cristo em nós.

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