Cristo, Cristo Jesus, Jesus, Jesus Cristo

Cristo, Cristo Jesus, Jesus, Jesus Cristo

Será que Paulo está dizendo exatamente a mesma coisa quando muda as palavras?

Paulo era judeu, conhecia profundamente as Escrituras e, como fariseu, tinha sido educado com muito rigor na Lei dos judeus.

Na sua carta aos colossenses, ele está procurando nos mostrar um mistério que esteve escondido durante muito tempo, mas que Deus havia revelado:

Cristo em vocês, a esperança da glória.

E é em Cristo que estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

Por isso, pode ser interessante prestar atenção nas palavras que Paulo escolheu.

Você percebeu que, ao longo daquela carta, ele usa diferentes formas?

Cristo. Cristo Jesus. Jesus. Jesus Cristo.

Será que são apenas diferentes maneiras de dizer a mesma coisa?

Ou será que essas palavras também podem nos ajudar a compreender esse mistério tão maravilhoso e descobrir alguns desses tesouros?

Que tal ler novamente aquela carta, agora prestando atenção em cada palavra?

Há palavras que usamos tantas vezes que quase deixamos de ouvi-las.

Com o passar do tempo, podemos acabar tratando todas essas expressões como se fossem simplesmente diferentes maneiras de dizer a mesma coisa.

Talvez sejam.

Mas talvez seja melhor não decidir isso tão depressa.

Em sua carta aos filipenses, Paulo também utiliza essas palavras numa sequência muito interessante.

Em vez de começarmos tentando explicar o que cada uma significa, podemos fazer uma coisa mais simples:

Ouvir Paulo e observar quando ele escolhe cada palavra.


Cristo

Paulo começa:

“Se, por estarmos em Cristo…”

Antes de falar sobre comportamento, humildade, obediência ou serviço, ele começa com uma realidade:

Estamos em Cristo.

É a partir daí que ele fala de encorajamento, consolação de amor, comunhão no Espírito, ternura e compaixão.

O ponto de partida não parece ser aquilo que o homem deve conseguir produzir.

O ponto de partida é:

em Cristo.


Cristo Jesus

Pouco depois, Paulo escreve:

“Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus…”

E então começa um movimento impressionante.

Cristo Jesus, existindo na forma de Deus, não se apega à condição que possui.

Esvazia-se.

Assume a forma de servo.

Torna-se semelhante aos homens.

É reconhecido em figura humana.

Humilha-se.

Torna-se obediente até a morte.

E morte de cruz.

Paulo não está apresentando aqui apenas uma ideia sobre humildade.

Ele está nos convidando a observar o que aconteceu com Cristo Jesus.

Talvez seja melhor não explicar depressa demais.


Jesus

Então acontece uma mudança.

Paulo diz:

“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome…”

E continua:

“para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho…”

Depois de falar de Cristo Jesus, Paulo agora utiliza simplesmente:

Jesus.

Deus o exaltou.

Deus lhe deu o nome.

E diante desse nome todo joelho se dobra.


Jesus Cristo

A sequência chega então a uma declaração:

“e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.”

Agora Paulo não diz apenas Jesus.

Diz:

Jesus Cristo.

E associa essa expressão a outra palavra:

Senhor.

Tudo isso acontece para a glória de:

Deus Pai.


E então… vocês

Seria possível terminar a leitura aqui.

Mas Paulo continua.

Depois de falar de Cristo, de Cristo Jesus, de Jesus e de Jesus Cristo, ele volta novamente para aqueles que estão ouvindo a carta.

E diz algo extraordinário:

“Pois Deus é quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.”

O texto havia começado:

“por estarmos em Cristo…”

E agora encontramos:

“Deus é quem efetua em vocês…”

Há ainda uma expressão de Paulo que talvez seja melhor apenas ouvir:

“Cristo em vocês, a esperança da glória.”

No início:

vocês em Cristo.

Agora:

Cristo em vocês.

Talvez seja melhor, mais uma vez, não explicar depressa demais.

Cristo

↓

Cristo Jesus

↓

Jesus

↓

Jesus Cristo é Senhor

↓

Deus Pai

↓

Deus operando em vocês


Será apenas uma maneira de escrever?

Talvez alguém diga que Paulo está apenas variando as palavras.

Pode ser.

Mas antes de chegarmos rapidamente a uma conclusão, talvez seja melhor simplesmente observar.

Paulo poderia ter usado a mesma expressão em todo o trecho.

Mas não usou.

Ele começa com Cristo.

Depois diz Cristo Jesus.

Depois, Jesus.

Depois, Jesus Cristo.

E logo adiante fala de Deus operando em nós.

Talvez essas palavras sejam apenas diferentes maneiras de se referir à mesma realidade.

Talvez cada uma ilumine alguma coisa que as outras, sozinhas, não conseguem dizer.

As palavras são necessárias.

Mas são limitadas.

Talvez seja melhor ouvir antes de explicar.


A luz que resplandece

E talvez possamos ouvir ainda outras palavras das Escrituras.

No princípio, quando havia trevas sobre a face do abismo, Deus disse:

“Haja luz.”

E houve luz.

João, falando daquele que estava no princípio com Deus, escreve:

“Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens.”

E pouco depois:

“Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens.”

Jesus também disse:

“Eu sou a luz do mundo.”

Mas, em outro momento, olhando para aqueles que estavam diante dele, disse:

“Vocês são a luz do mundo.”

Como isso pode acontecer?

Talvez seja melhor não responder depressa demais.

Paulo escreve aos colossenses sobre um mistério que esteve oculto durante épocas e gerações e que agora foi manifestado:

“Cristo em vocês, a esperança da glória.”

E aos efésios ele diz algo ainda mais surpreendente:

“Outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor.”

O mesmo Paulo retoma a imagem do princípio:

“Deus, que disse: ‘Das trevas resplandecerá a luz’, ele mesmo brilhou em nosso coração.”

E então ouvimos:

“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo resplandecerá sobre ti.”

Talvez não seja necessário dizer muito mais.

As trevas não produzem a luz.

Aquele que dorme não produz a luz.

A verdadeira luz ilumina.

Deus faz a luz resplandecer.

Cristo resplandece.

E então voltamos ao começo de Filipenses:

“Se, por estarmos em Cristo…”

E às palavras que aparecem pouco depois:

“Deus é quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar.”


Ouvir

Talvez algumas coisas não precisem ser explicadas depressa demais.

Estamos acostumados a ler a Bíblia procurando respostas.

Procuramos descobrir o que determinada passagem significa.

Perguntamos qual é a interpretação correta.

Discutimos palavras.

Explicamos.

Falamos.

Mas Jesus repetia:

“Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

Talvez possamos fazer exatamente isso.

Sem pressa de definir Cristo.

Sem pressa de explicar Cristo Jesus.

Sem pressa de determinar por que Paulo escreveu Jesus.

Sem pressa de construir uma definição para Jesus Cristo.

Apenas ouvir.

O que você ouviu?


Referências bíblicas:

Filipenses 2:1–13
Gênesis 1:1–3
João 1:1–9
João 8:12
Mateus 5:14
Colossenses 1:26–27
Efésios 5:8,14
2 Coríntios 4:6

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