Processos horríveis

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Processos horríveis

Quando nossos processos se tornam horríveis

E quando o Espírito nos chama ao novo

Fui convidado recentemente para falar em um evento sobre tecnologia e inovação.
E, preparando o conteúdo, escolhi compartilhar um processo que construímos — eu e minha equipe — há dezessete anos.

Na época, aquilo foi ousado, diferente, disruptivo.
Abriu portas, gerou confiança, amadureceu nosso serviço, e até definiu quem nos tornamos como empresa.

Durante a apresentação, destaquei algo que, hoje, percebo como profético:

“A maior inovação está dentro de cada um de nós.”
“Graças ao Espírito Santo que sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus.”

Naquele momento, eu falava sobre mentalidade, criatividade e autonomia profissional.
Mas, olhando agora, vejo que estava falando sobre algo muito maior do que processos.

Estava dizendo que o novo não nasce de máquinas, plataformas ou metodologias — ele nasce de pessoas transformadas.

E, ironicamente, naquela mesma apresentação, eu estava compartilhando algo que um dia foi novo, mas já não é.

O público me pareceu ter reagido bem, chamou de inovação.
E eu fiquei satisfeito — genuinamente.

Processos horríveis

Mas, dias depois, uma frase que ouvi de um presidente de seguradora, que esteve na China, me atravessou:

“Partimos do princípio de que nossos processos são horríveis.”
“Por isso, não procuramos melhorar — mas refazer.”

Aquilo me deslocou.
Porque percebi que, por anos, buscamos aperfeiçoar o que foi criado, ajustá-lo, organizá-lo, encaixar novas ferramentas em estruturas antigas.

Fizemos bem.
Com inteligência.
Com dedicação.

Mas talvez tenhamos chegado ao limite dessa lógica.

Talvez não seja mais sobre melhorar o que existe
mas sobre permitir que algo completamente novo nasça.

O horrível processo pessoal

E aqui entrou uma percepção pessoal, profundamente espiritual:

Quem se acha bom, não precisa do Espírito.

Paulo se via como “horrível” —
e justamente por isso foi transformado.

Não transformado em “uma versão melhor de si mesmo”.
Mas em nova criação.

Paulo não vivia o aperfeiçoamento da velha vida.
Ele vivia o substituto da velha vida.

Por isso ele falava em:
morrer,
sepultar,
ressuscitar,
caminhar em novidade de vida.

Não evolução,
não lapidação,
não upgrade.

Novo.

A percepção do nosso processo horrível

E, naquele dia, percebi uma coisa simples e incômoda:

O nosso processo não está ruim.
Ele apenas pertence a um mundo que já não existe.

Ele foi filho de seu tempo.
Mas não é pai do futuro.

E aqui há um paralelo que, para mim, faz todo sentido:

O Espírito não melhora a carne.
Ele cria um novo ser.

Da mesma forma:

A empresa não precisa otimizar o passado.
Ela precisa autorizar o futuro.

Não é sobre fazer ajustes.
É sobre permitir um salto.

E saltos exigem desapego.

Dói.
Dói porque mexe no que fizemos bem.
Dói porque mexe na nossa identidade.
Dói porque mexe na nossa segurança.

Mas existe uma dor maior do que essa:

A dor de permanecer no lugar onde já não há vida.

E, talvez, estejamos aí.

A inovação que nos trouxe até aqui não é a inovação que nos levará adiante.

A mudança que precisamos não é incremental.
É estrutural.

Os novos processos horríveis

E por isso, nesta segunda-feira, compartilhei com a equipe uma visão simples, clara e ousada para 2026:

Cada um de nós vai precisar começar do zero.
Não como regressão, mas como renascimento.
Não como perda, mas como possibilidade.

Não é “melhorar um pouco mais”.
É entrar em um novo ciclo.

E, para isso, precisamos de algo que Paulo tinha:

  • humildade para reconhecer limite

  • coragem para abraçar fragilidade

  • e fé para caminhar em novidade de vida

Ele sabia que, sem o Espírito, não tinha nada para oferecer.
E, por isso, ofereceu espaço.

Talvez esse seja o nosso momento também:

Reconhecer que o que fizemos foi bom.
Mas que “bom” agora é pouco.

Que o que nos sustentou até aqui
é pequeno demais para carregar o que recebemos por dentro.

Porque, no fim das contas:

A maior inovação continua dentro de nós.

E quando ela amadurece dentro,
cedo ou tarde, exige nascer fora.

Conclusão

Não queremos mais melhorar o processo.
Queremos criar outro.

Não queremos mais modernizar o velho.
Queremos ver nascer o novo.

Não queremos mais eficiência incremental.
Queremos visão transformadora.

E, com humildade, digo:

Não sei exatamente como será.
Mas sei que não será construído sobre remendos.

Será construído sobre visão.
Sobre coragem.
Sobre simplicidade.
E sobre gente disposta a morrer para o velho,
para viver o novo.

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