As Cartas


As Cartas — em leitura contínua

Como tudo começou

Este projeto começou de maneira muito simples.

Na pequena igreja onde nos reunimos, há muitas crianças.
Procurando uma forma de facilitar para elas a compreensão das mensagens das cartas, comecei a retirar capítulos, versículos, títulos e subtítulos e a apresentar o texto como uma leitura contínua.

Era apenas uma maneira de ajudá-las a ouvir.

Mas, enquanto fazia isso, alguma coisa aconteceu comigo também.

Comecei a perceber a leitura de outra maneira.
Palavras que estavam ali havia tanto tempo começaram a chamar minha atenção.
Relações que antes passavam despercebidas começaram a aparecer.
E aquilo que havia começado como uma experiência com as crianças acabou me encantando.

Talvez encantamento seja mesmo a palavra.

Jesus contou uma pequena parábola sobre um homem que encontrou um tesouro escondido em um campo.
Ao encontrá-lo, cheio de alegria, foi e vendeu tudo o que tinha para comprar aquele campo.

Paulo escreveu algo que, para mim, ilumina essa pequena parábola de uma maneira muito especial:

Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

Colossenses 2:2-3

Foi isso que encontrei.

Não respostas para tudo.
Não uma nova maneira de explicar a Bíblia.
Mas um convite para olhar novamente, ouvir novamente e continuar procurando nesse imenso tesouro.

E foi justamente o encantamento dessa descoberta que me motivou a compartilhar estas cartas.

Não como quem tem alguma coisa para ensinar aos outros,
mas como alguém que encontrou algo precioso e simplesmente diz:

Venha ver.


Por que leitura contínua?

Estas cartas foram escritas há quase dois mil anos.

Desde então, foram copiadas, traduzidas, lidas, estudadas, ensinadas e comentadas por muitas gerações.
E, ainda hoje, podem ser pouco compreendidas.

Estamos tão acostumados a encontrar a Bíblia dividida em capítulos e versículos, acompanhada de títulos,
subtítulos, referências e comentários, que facilmente podemos imaginar que ela sempre foi assim.

Mas não foi.

Os autores das cartas não escreveram capítulos e versículos.
Essas divisões e numerações foram acrescentadas séculos depois, para facilitar a localização, a leitura
e o estudo dos textos. Títulos, subtítulos e outros recursos editoriais também foram incorporados
posteriormente às edições da Bíblia.

São recursos muito úteis. Nós nos acostumamos com eles e dificilmente percebemos o quanto podem participar
da maneira como lemos.

Uma carta, porém, não foi escrita como uma coleção de pequenos trechos independentes.
Há um pensamento que começa, prossegue, retorna, desenvolve-se e chega a algum lugar.

Este projeto nasceu de uma experiência muito simples:

ler novamente as cartas como cartas.

Por isso, retiramos a numeração de capítulos e versículos, bem como os títulos e subtítulos,
preservando integralmente o texto da Nova Versão Internacional (NVI).

Não acrescentamos explicações ao texto. A proposta é permitir que ele seja lido em sua continuidade.


Antes de ler

Há apenas um convite:
preste atenção às palavras que estão diante de você e procure não substituí-las,
mesmo mentalmente, por outras.

  • Se o texto diz Jesus, leia Jesus.
  • Se diz Cristo, leia Cristo.
  • Se diz Jesus Cristo, leia Jesus Cristo.
  • Se diz Cristo Jesus, leia Cristo Jesus.
  • Se diz Filho, leia Filho.
  • Se diz Filho do Homem, leia Filho do Homem.
  • Se diz Verbo, leia Verbo.
  • Se diz Luz, leia Luz.
  • Se diz Cristo formado em vocês, leia Cristo formado em vocês.
  • Se diz Cristo em vocês, leia Cristo em vocês.

Talvez essas palavras sejam apenas maneiras diferentes de falar das mesmas coisas. Talvez não.

Não precisamos decidir antes de ler.

Sem tentar antecipar uma explicação.
Sem substituir uma palavra por outra.

Apenas ouvindo o texto como ele foi escrito.

Talvez, ao retirar por alguns momentos as divisões às quais nos acostumamos e simplesmente acompanhar
o movimento da carta, possamos perceber palavras, relações e sentidos que muitas vezes passaram diante
dos nossos olhos sem que lhes déssemos atenção.

Os arquivos estão em formato PDF A5 e podem ser lidos na tela ou impressos.

Não sabe por onde começar?

Talvez seja melhor começar pelas cartas menores, reler, experimentar uma leitura em grupo
e simplesmente acompanhar aquilo que começa a aparecer.


Veja uma sugestão de leitura →


Cartas disponíveis

Romanos: Ler  |  Baixar PDF

1 Coríntios: Ler  |  Baixar PDF

2 Coríntios: Ler  |  Baixar PDF

Gálatas: Ler  |  Baixar PDF

Efésios: Ler  |  Baixar PDF

Filipenses: Ler  |  Baixar PDF

Colossenses: Ler  |  Baixar PDF

1 Tessalonicenses: Ler  |  Baixar PDF

2 Tessalonicenses: Ler  |  Baixar PDF

1 Timóteo: Ler  |  Baixar PDF

2 Timóteo: Ler  |  Baixar PDF

Hebreus: Ler  |  Baixar PDF

Tiago: Ler  |  Baixar PDF

1 Pedro: Ler  |  Baixar PDF

2 Pedro: Ler  |  Baixar PDF

As três cartas de João: Ler  |  Baixar PDF

Para montagem de apostila: (sugestão)


Número de páginas por carta
Item Carta Nº de pág.
– Capa 1
– Apresentação / Contracapa 10
1 Romanos 33
2 1 Coríntios 31
3 2 Coríntios 21
4 Gálatas 14
5 Efésios 14
6 Filipenses 11
7 Colossenses 8
8 1 Tessalonicenses 7
9 2 Tessalonicenses 5
10 1 Timóteo 9
11 2 Timóteo 7
12 Tito —
13 Filemom —
14 Hebreus 25
15 Tiago 8
16 1 Pedro —
17 2 Pedro —
18 As três cartas de João 13
21 Judas —
22 Apocalipse —
Total de páginas 217
Aproximadamente 115 folhas A5

Novas cartas serão acrescentadas à medida que forem preparadas.


Uma sugestão de leitura

As cartas não precisam ser lidas na ordem em que aparecem na Bíblia.

Para quem não está acostumado a lê-las inteiras, começar por Romanos e depois seguir para 1 e 2 Coríntios pode tornar a experiência um pouco cansativa. São cartas longas, que exigem tempo e atenção.

Talvez seja melhor começar pelas cartas menores.

E também não é necessário terminar uma carta e logo passar para a seguinte.
É muito bom reler.

Temos experimentado isso especialmente com a Carta aos Colossenses.
Depois de muitas leituras, ela continua surpreendendo. Uma palavra que havia passado despercebida aparece. Uma frase começa a se relacionar com outra.
Algo que parecia simples ganha outra profundidade.

A carta é a mesma. Mas nós voltamos a ela e percebemos coisas que antes não havíamos percebido.

Por isso, não tenha pressa para chegar à próxima.
Se uma carta chamar a sua atenção, permaneça nela. Leia novamente.

A alegria de ler juntos

Tem sido uma alegria ler essas cartas em grupo.

Na igreja e em pequenos grupos de estudo, temos experimentado uma leitura simples, sem pressa.
Lemos juntos e conversamos sobre aquilo que estamos ouvindo.

E algo muito bonito acontece. Uma pessoa percebe uma palavra que as outras não haviam percebido.
Alguém faz uma pergunta. Outra pessoa se lembra de alguma coisa que apareceu algumas páginas antes.
E voltamos ao texto.

Nem sempre é necessário que alguém explique tudo.
Podemos ler, ouvir uns aos outros, fazer perguntas e continuar lendo.

Também temos percebido que a dificuldade de uma pessoa pode enriquecer a leitura de todos.

Às vezes alguém não compreende uma passagem. Então procuramos explicar.
Voltamos à frase. Procuramos palavras mais simples. Lemos novamente.
Buscamos compreender exatamente o que está escrito para poder compartilhar.

E, nesse esforço de ajudar o outro a enxergar,
nossos próprios olhos começam a enxergar melhor.

Quem compartilha também recebe.

Uma pergunta muito simples pode nos fazer perceber algo em que nunca havíamos pensado.

Por isso, numa leitura em grupo, não há apenas alguém que sabe ensinando alguém que não sabe.
Estamos lendo juntos.

A dificuldade de um pode ajudar todos a olhar novamente.
E aquele que procura compartilhar alguma coisa pode descobrir que ainda havia muito para ver.

Jesus disse:

“Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a toda criatura.”
Marcos 16:15

Toda criatura.

Sem escolher antecipadamente quem será capaz de compreender.
E sem imaginar que somente aquele que ouve tem algo a receber.

As conexões começam a aparecer

Quando passamos de uma carta para outra, outra coisa começa a acontecer.

A mesma mensagem foi anunciada a pessoas e igrejas diferentes.
Por isso, encontramos pensamentos apresentados de maneiras diferentes,
em situações diferentes e com palavras diferentes.

Uma carta começa a ajudar na compreensão de outra.
As cartas começam a iluminar umas às outras.

E não apenas as cartas.

Naturalmente começam a surgir conexões com os Evangelhos, com Gênesis, com os profetas, com os Salmos, com o Apocalipse e com tantas outras partes das Escrituras.

Uma palavra lembra outra. Uma imagem reaparece.
Uma frase que parecia isolada encontra outra passagem.
Algumas coisas começam a ficar claras.

E talvez o mais bonito seja que não precisamos procurar ansiosamente todas essas conexões.

Elas começam a aparecer.

Um mistério, não um enigma

Há algo importante sobre a maneira como estamos lendo.

Buscamos compreender um mistério, não solucionar um enigma.

Um enigma pede uma solução. Procuramos as pistas, encontramos a resposta e, de alguma maneira, o enigma se encerra.

O mistério é diferente.

Paulo escreveu:


“Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou
o que Deus preparou para aqueles que o amam.”

E continuou:

“Deus, porém, o revelou a nós por meio do Espírito.”
1 Coríntios 2:9-10

Há revelação. Há coisas que começam a ficar claras.
Há palavras que passamos a perceber. Há relações que não víamos e que começam a aparecer diante de nós.

Mas o mistério não se esgota.

Por mais que nossos olhos comecem a ver, continua verdadeiro:
“Olho nenhum viu.”

Por mais que nossos ouvidos comecem a ouvir:
“Ouvido nenhum ouviu.”

Por mais que alguma coisa alcance nosso coração, permanece verdadeiro que há aquilo que jamais havia penetrado no coração humano.

A Palavra continua valendo.

Aquilo que já vimos não é tudo o que há para ver.
Aquilo que já ouvimos não é tudo o que há para ouvir.
Aquilo que já compreendemos não estabelece os limites do mistério.

Paulo também escreveu sobre:


“o mistério que esteve oculto durante épocas e gerações,
mas que agora foi manifestado aos seus santos.”

Colossenses 1:26

O mistério é revelado. E, ainda assim, continuamos olhando, continuamos ouvindo, continuamos lendo.

Talvez seja por isso que podemos voltar tantas vezes à mesma carta.

Não voltamos necessariamente porque não entendemos a leitura anterior.


Voltamos porque aquilo que compreendemos não esgota aquilo que estamos lendo.

Há perguntas sem resposta

Quanto mais lemos, mais coisas percebemos. Mas também surgem perguntas.

Algumas encontram resposta quando continuamos lendo.
Uma passagem ajuda a compreender outra.
Uma carta lança luz sobre uma expressão encontrada em outra carta.
Às vezes uma conexão aparece muito tempo depois.

E há perguntas para as quais simplesmente ainda não temos resposta.

Isso não precisa nos inquietar.
Não precisamos preencher imediatamente todos os espaços.
Não precisamos construir uma explicação apenas porque surgiu uma pergunta.

Podemos dizer com tranquilidade:

Eu ainda não sei.

Tem sido muito libertador, em nossas leituras, poder reconhecer isso.

Não saber ainda não encerra a conversa.

Não precisamos defender uma resposta que não temos.
Não precisamos ter uma explicação pronta para todas as perguntas.
Podemos reconhecer com simplicidade o limite daquilo que compreendemos hoje.

E continuar lendo.

Se estamos diante de um mistério e não de um enigma,
não precisamos solucionar tudo para prosseguir.

Há coisas que compreendemos hoje e não compreendíamos antes.
Há coisas que estamos começando a perceber.
E há coisas que ainda não vemos.

Podemos guardar uma pergunta sem respondê-la.
Podemos voltar ao texto. Podemos esperar.

Eu ainda não sei.

E isso não precisa ser o fim de uma pergunta.
Pode ser apenas o lugar em que estamos hoje.

No devido tempo, aquilo que nos for dado compreender será revelado.
Enquanto isso, a pergunta pode permanecer aberta.

E continuamos lendo.

Por onde começar?

Não queremos estabelecer uma nova ordem para a leitura das cartas.

Esta é apenas uma sugestão para quem gostaria de experimentar a leitura contínua e não sabe por onde começar.

Um caminho possível seria:

  • Colossenses
  • Filipenses
  • 1 Tessalonicenses
  • Gálatas
  • Efésios
  • Tiago
  • 1 Pedro
  • 1 João
  • Hebreus

E podemos parar a sugestão aqui.

Depois disso, escolha outra carta.
Talvez Romanos. Talvez 1 ou 2 Coríntios.
Talvez alguma das cartas menores que ainda não tenha lido.

Ou talvez você descubra que não deseja ainda começar outra.
Volte àquela que acabou de ler.

Leia sozinho. Leia com alguém. Experimente ler em grupo.
Faça perguntas. Ouça as perguntas dos outros.
Não tenha receio quando não souber responder.

E não tenha pressa.

Esta não é uma sequência para terminar as cartas.
É apenas uma sugestão para começar a ouvi-las.

Porque, não importa quanto já tenhamos percebido:

“Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu…”

E continuamos lendo.

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Depois de ler

Encontramos Cristo, Cristo Jesus, Jesus e Jesus Cristo.
Será apenas uma maneira de escrever? Talvez.
Mas e se prestarmos atenção?

João começa assim: No princípio era o Verbo.

Não diz Jesus. Diz Verbo.
E “no princípio” nos leva a Gênesis:
Deus disse: Haja luz.
E houve luz.
Mas o sol e a lua ainda não haviam sido criados.
Que luz era aquela?

João fala do Verbo, da vida e da
verdadeira luz, que ilumina todo homem.
Seria essa a luz que já brilhava no princípio?
Não precisamos responder depressa.

Paulo também fala daquele que é antes de todas as coisas,
em quem todas as coisas foram criadas e no qual tudo subsiste.

Jesus, porém, aparece na história muito depois.
Pela cronologia do calendário judaico tradicional,
seu nascimento ocorreu por volta do ano 3760 —
quase quatro mil anos depois do início dessa contagem.

Então João escreve:
O Verbo se fez carne.

Paulo diz que Deus enviou seu Filho, nascido de mulher.

Jesus nasceu de Maria, cresceu, aprendeu,
foi tentado, sofreu e obedeceu.

No Jordão, o Espírito Santo veio sobre Jesus.
Depois ele leu:
O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu.
Cristo significa Ungido.

Cristo Jesus, o Ungido Jesus.

Depois vieram a cruz e a morte.
E Deus o ressuscitou.
Pedro anunciou:
Deus fez deste Jesus, a quem vocês crucificaram, Senhor e Cristo.

Paulo escreve que Deus o exaltou à mais alta posição,
até que toda língua confesse:
Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.

Talvez todas essas expressões sejam apenas maneiras diferentes
de falar da mesma pessoa.
Mas os autores poderiam ter escrito sempre a mesma palavra.

E não escreveram.


Verbo. Luz. Filho. Jesus. Cristo. Cristo Jesus. Jesus Cristo.

Não estamos afirmando que essas palavras necessariamente
designem realidades separadas.
Estamos apenas procurando não torná-las iguais antes de ouvi-las.


Para montar uma apostila

Os arquivos também foram preparados para impressão e encadernação.

  • Baixe os PDFs das cartas que deseja incluir.
  • Imprima em papel A5 (14,8 × 21 cm), frente e verso, em alguma papelaria.
  • As margens já estão espelhadas, com espaço próprio para encadernação.
  • Reúna as cartas na ordem que desejar.
  • Baixe também os arquivos de capa e contracapa (ver abaixo).
    Sugestão para:

  • Faça uma encadernação simples com espiral.

Assim, cada pessoa, grupo ou comunidade pode montar sua própria apostila e acrescentar outras cartas posteriormente, se desejar.

Os arquivos são disponibilizados gratuitamente para leitura,
impressão e uso em grupos.


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