O conflito parece certo — mas pode estar te cegando

O conflito parece certo — mas pode estar te cegando

Conflito e paz em contraste: de um lado tempestade escura no mar, do outro um lago calmo ao pôr do sol com uma pomba branca, representando como o conflito cega e a paz permite enxergar.

A paz não vem depois. É ela que nos faz enxergar.

Existe algo que tenho observado em mim com muita sinceridade.

Muitas vezes, eu ainda quero resolver as coisas pelo conflito.

Não parece algo errado à primeira vista.
Pelo contrário — muitas vezes parece firmeza, posicionamento, até justiça.

Mas, olhando com mais cuidado, percebo que há algo mais profundo acontecendo.


Não é apenas sobre comportamento.

É sobre natureza.

A Palavra de Deus diz:

“Procurem viver em paz com todos e busquem a santificação; sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hb 12:14)

Esse versículo sempre me chamou atenção.

Porque ele não diz que sem conhecimento não veremos.
Nem que sem esforço… ou sem boas obras.

Ele diz: sem paz, não vemos.


E talvez aqui esteja algo que normalmente não percebemos:

Não vemos… porque estamos tomados.

Ficamos cegos pela raiva.
Cegados pelos conflitos.
Cegados pelas reclamações.

Como se algo cobrisse os olhos.

E isso me lembra quando Paulo teve os olhos abertos —
como se escamas tivessem caído.

Não foi apenas um milagre físico.

Foi visão.

Isso muda completamente o ponto de partida.

A paz não é o resultado da vida espiritual.

Ela é a condição para enxergar.


E isso se conecta diretamente com algo que o próprio Jesus disse:

Antes de entrar, é preciso ver.

Porque sem visão, não há entrada.

E sem paz… não vemos.

Jesus revela o início do caminho.

E, em outro momento, Ele diz:

“Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.” (Mt 5:9)

Percebe a continuidade?

Ver…
Entrar…
E então viver como filho.

O pacificador não é apenas alguém que evita conflito.

É alguém que já está vivendo a partir dessa nova natureza.

Porque os filhos carregam a natureza do Pai.

E o Pai não é dividido.

Por isso a Palavra diz:

“Sejam santos, porque Eu sou santo.” (1 Pe 1:16)

Os filhos são santos.

Não por esforço.

Mas por natureza.


E santidade, aqui, começa a ganhar um sentido simples:

Não fazer como todos fazem.

Não façam como todos fazem,
mas transformem-se pela renovação do seu entendimento. (Rm 12:2)

Paulo não está pedindo esforço.

Ele está apontando para transformação.

Porque o problema nunca foi apenas o comportamento.

Sempre foi a forma de ver.


E, quando olhamos para o ensino de Paulo, vemos essa mesma linha sendo aprofundada:

“Que a paz de Cristo seja o árbitro em seus corações…” (Cl 3:15)

Jesus revela o caminho.
Paulo mostra como isso opera dentro de nós.

E Paulo vai além.

Ele fala de uma paz que não depende da lógica:

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente…” (Fp 4:7)

Isso é muito revelador.

Porque mostra que essa paz não nasce da explicação.

Ela não vem quando tudo faz sentido.

Ela vem de outro lugar.


Mas essa paz não é algo que produzimos.

Ela é dada.

Jesus disse:

“Eu lhes dou a minha paz.” (Jo 14:27)

Não é a paz que o mundo constrói.
Não é a paz que depende de circunstâncias.

É uma paz que vem dEle.

E talvez por isso ela exceda o entendimento.

Porque não nasce da lógica.

Ela é recebida.


E isso também explica por que nem todos enxergam.

Porque enxergar não é automático.

Jesus também disse:

“Quem pede, recebe; quem busca, encontra.” (Mt 7:8)

Existe um movimento aqui.

Não de esforço… mas de direção.

De alguém que percebe que não está vendo —
e decide buscar.


E, quando olho para a minha própria vida, percebo algo desconfortável:

Nós não apenas entramos em conflito…

Nós, muitas vezes, gostamos dele.

Gostamos de reclamar.
Gostamos de apontar.
Gostamos de nos posicionar como quem está certo.

Há uma espécie de energia nisso.

Mas isso também não é novo.

Quando Moisés tirou o povo do Egito, eles tinham visto milagres.
Tinham sido libertos.
Estavam sendo conduzidos.

E ainda assim…

O deserto foi marcado por reclamação.

Não por falta de provisão.

Mas porque a natureza deles ainda era a do Egito.

E talvez seja isso que ainda carregamos.

Saímos… mas não fomos transformados por dentro.


Mas há um outro caminho.

Ele começa onde Jesus apontou:

Ver.

E se sustenta naquilo que Paulo descreveu:

Uma paz que não depende do entendimento.

E se manifesta em uma vida diferente:

Não fazer como todos fazem.

“Que a paz de Cristo seja o árbitro…” (Cl 3:15)

O árbitro decide.

Então a pergunta deixa de ser:

— Quem está certo?
— Quem está errado?

E passa a ser:

Isso mantém a paz de Cristo em mim?

Se não mantém… já existe um sinal.

Porque o conflito externo começa antes.

Ele começa dentro.

E aqui algo começa a ficar muito claro:

A paz também se revela na ausência de conflitos desnecessários.

Não porque tudo está resolvido fora —
mas porque algo deixou de reagir dentro.

Antes, qualquer tensão gerava resposta.

Agora, muitas vezes, há apenas percepção… e silêncio.

Não um silêncio de repressão,
mas de quem não precisa mais se defender o tempo todo.

É como se a paz se tornasse o ambiente interno —
e, por isso, o conflito já não encontra mais onde se apoiar.


Mas a paz…

A paz une.
A paz alinha.
A paz revela.

“É em paz que se semeia… para os que promovem a paz” (Tg 3:18)

é em paz que se planta boas notícias.

Não apenas com palavras.

Mas com a própria vida.

Porque tudo o que é semeado carrega a natureza do ambiente onde foi plantado.

E, se isso é verdade…

também é verdade que colhemos aquilo que semeamos.


O conflito até pode parecer produzir resultado.

Mas não produz vida.

Não produz transformação real.

Não produz fruto que permanece.

Porque o fruto revela a origem.

E o Espírito produz algo muito diferente:

amor, alegria, paz…

Isso não é natural em nós.

Nasce de outra fonte.

Por isso não pode ser fabricado.

Só pode ser gerado.


E isso muda até as pequenas decisões do dia a dia.

Antes de responder.
Antes de corrigir.
Antes de reagir.

Uma pergunta silenciosa pode revelar tudo:

Isso está nascendo da paz… ou da tensão?


Porque a paz não vem depois.

Ela é o ponto de partida.


No fim, tudo se conecta:

Ficamos cegos quando somos tomados.
A paz nos permite ver.
Jesus mostra o caminho.
Os filhos vivem essa natureza.
Paulo revela como isso opera dentro de nós.

E a vida mostra onde ainda estamos.

O homem natural tende ao conflito.
A transformação vem pela renovação do entendimento.
E a evidência dessa transformação é uma só:

a paz governando o coração.

E sem essa paz…

não vemos.

3 Comments

  1. Ilda Ferreira Humber Lahoud disse:

    Penso que o ditado : ,”É melhor ter paz do que ter razão “..faz sentido, quando a gente quer ter a razão sempre há conflito..

  2. Luiz Augusto disse:

    Um pouco longo, mas a conexão é perfeita.

  3. JEFFERSON DOMINGUES disse:

    A Paz que excede todo o entendimento”
    Essa paz não significa ausência de problemas, mas a presença de Deus no meio deles, garantindo estabilidade emocional.

    “Parabéns por esse artigo, Airton!”

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