Talvez uma das formas mais simples de olhar para a vida de Jesus seja acompanhar a sequência que as próprias Escrituras apresentam.
Primeiro vemos Jesus.
Ele nasce, cresce, aprende, trabalha e vive como um ser humano comum. Durante cerca de trinta anos, é conhecido apenas como Jesus de Nazaré.
Curiosamente, Mateus não encerra sua genealogia apenas com o nascimento de Jesus. Ele escreve:
“Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.”
Mateus 1:16
Como se, desde o início, Mateus estivesse convidando o leitor a descobrir algo que ainda seria revelado ao longo da história.
Depois vemos Cristo.
Então chega o batismo.
O Espírito Santo desce sobre Jesus, e o Pai declara:
“Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.”
Mateus 3:17
Pouco depois, ao iniciar sua obra, Jesus faz uma declaração que merece nossa atenção:
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu…”
Lucas 4:18
Antes de falar sobre milagres, poder ou autoridade, Jesus fala sobre o Espírito do Senhor.
É o Espírito que o guia.
É o Espírito que o unge.
É o Espírito que conduz sua vida e sua missão.
Mais tarde, Jesus pergunta aos seus discípulos:
“E vocês, quem dizem que eu sou?”
Mateus 16:15
Pedro responde:
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Mateus 16:16
Enquanto muitos viam apenas Jesus, Pedro enxergou o Cristo.
Não por carne e sangue.
Mas por revelação do Pai.
Mas a história não termina aí.
Paulo descreve o caminho que Jesus percorreu:
“E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!”
Filipenses 2:8
Esse detalhe é muito importante.
Paulo não diz apenas que Jesus morreu na cruz.
Ele faz questão de destacar que foi encontrado em forma humana.
Assumiu a condição de servo.
Humilhou-se.
Obedeceu.
A obediência aconteceu na condição humana.
Talvez seja justamente por isso que Paulo apresenta esse caminho aos discípulos logo no início do capítulo:
“Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus.”
Filipenses 2:5
O objetivo não é apenas admirar Jesus.
É compreender o caminho que ele percorreu.
Porque, se enxergarmos apenas o lado divino de Jesus, seu exemplo se torna distante e inalcançável.
Mas, quando enxergamos o homem guiado pelo Espírito, obediente ao Pai e dependente de Deus, o caminho começa a ficar visível.
E então vemos o Senhor.
Então Paulo conclui:
“Por isso Deus o exaltou à mais alta posição…”
Filipenses 2:9
A exaltação não aparece separada da obediência.
Ela é consequência dela.
Depois da ressurreição, Pedro anuncia:
“Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo”.
Atos 2:36
Assim, a sequência que percebo nas Escrituras é:
Primeiro, vemos Jesus como homem.
Recebe o Espírito e é confirmado pelo Pai como Filho.
Vive guiado pelo Espírito do Senhor.
Depois, é reconhecido como o Cristo.
Permanece obediente até a cruz.
E, mais depois, Deus o exalta como Senhor.
Talvez por isso a mensagem dos apóstolos culmine em uma declaração simples:
“Jesus Cristo é Senhor.”
Filipenses 2:11
Curiosamente, em nossos dias falamos muito sobre o Espírito Santo, mas nem sempre sobre o seu senhorio.
Entretanto, a primeira declaração pública de Jesus após o batismo foi:
“O Espírito do Senhor está sobre mim.”
Lucas 4:18
O Espírito não conduz ao protagonismo humano.
O Espírito conduz ao senhorio de Deus.
“O Senhor é o Espírito…”
2 Co 3:17
Mas talvez a história não termine em Atos 2.
Paulo escreve aos gálatas:
“Meus filhos, por quem novamente sofro as dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês.”
Gálatas 4:19
E aos colossenses:
“Cristo em vocês, a esperança da glória.”
Colossenses 1:27
Essas palavras são impressionantes.
Paulo não está falando apenas sobre Jesus de Nazaré.
Nem apenas sobre o Cristo reconhecido por Pedro.
Nem apenas sobre o Senhor exaltado à direita de Deus.
Ele está falando sobre Cristo sendo formado em seres humanos.
Talvez por isso tenha dedicado tanto esforço para ensinar, corrigir e encorajar as igrejas.
O objetivo não era apenas transmitir conhecimento.
Era cooperar com a obra de Deus na formação de Cristo também em seus filhos.
Jesus nasce como homem.
Recebe o Espírito e é confirmado pelo Pai como Filho.
Vive guiado pelo Espírito do Senhor.
É reconhecido como o Cristo.
Permanece obediente até a cruz.
É exaltado por Deus como Senhor.
Derrama o Espírito sobre os homens.
Para que Cristo possa ser formado em nós.
Talvez seja por isso que Paulo chama essa realidade de:
“Cristo em vocês, a esperança da glória.”
Colossenses 1:27
A história que começou em Jesus não termina nele.
Ela continua naqueles que recebem o Espírito e permitem que Deus realize sua obra neles.
Não como uma cópia de Jesus.
Mas como a continuação daquilo que o próprio Deus começou a revelar nele.
Mateus começa dizendo:
“Nasceu Jesus, que é chamado Cristo.”
Mateus 1:16
Pedro declara:
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Mateus 16:16
E, após a ressurreição, anuncia:
“Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo”.
Atos 2:36
Talvez a jornada dos discípulos tenha sido justamente essa: aprender a enxergar, pouco a pouco, aquilo que Deus estava revelando em Jesus.
E talvez a nossa jornada humana seja exatamente a mesma.
2 Comments
Achei interessante, não havia parado pra pensar e analisar com essa lente
Jesus vive!
Em algum momento na caminhada em direção ao Cristo Jesus, comecei a encantar-me com tudo que dizia respeito ao filho do Deus vivo. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Depois veio a pergunta habitou ou habita entre nós pela ação do espírito santo?. Talvez seja isso a que você refere como o Cristo sendo formado em nós. Ser formado é um processo que tem início e talvez tenha um fim, o seu texto é bem construído e faz todo sentido segundo a necessidade de cada pessoa no processo de formação do Cristo.