O Futuro, Descansando em Deus

O Futuro, Descansando em Deus

Estrada de terra ao amanhecer no campo e sol nascendo

O Futuro, Descansando em Deus

Todos nós pensamos no futuro.

E talvez justamente por isso Jesus tenha feito um dos convites mais profundos das Escrituras:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”

Porque, no fundo, uma das maiores sobrecargas humanas talvez seja justamente o peso do amanhã.


Quando somos crianças, o futuro parece distante.

Mas, à medida que crescemos, começamos a perceber a fragilidade da vida:

  • responsabilidades,
  • contas,
  • doenças,
  • perdas,
  • envelhecimento,
  • inseguranças,
  • medo do amanhã.

E quase sem perceber, começamos a construir celeiros.

Alguns acumulam dinheiro.
Outros acumulam conhecimento.
Outros acumulam poder.
Outros tentam controlar tudo.

No fundo, muitas vezes estamos apenas tentando construir algum tipo de segurança contra o futuro.


Jesus contou uma parábola extremamente profunda sobre isso.

Um homem teve uma grande colheita.
Seus campos produziram tanto que seus celeiros já não eram suficientes.
Então ele pensou:

“Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens.”

E então disse para si mesmo:

“Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se.”

Mas Deus lhe respondeu:

“Louco! Esta noite pedirão a sua vida.”

A questão aqui não parece ser a existência dos celeiros.

A Bíblia não condena o trabalho, a prudência ou a organização.
O problema está na ilusão de controle.

Aquele homem acreditava que agora sua vida estava garantida.
Como se o futuro pudesse finalmente ser dominado.

Mas existe algo que o ser humano precisa compreender:

A vida não está sob o nosso controle.

Podemos planejar.
Podemos construir.
Podemos plantar.
Podemos trabalhar.

Mas não controlamos nem mesmo o próximo respirar.


E talvez seja exatamente por isso que Deus declara em Jeremias:

“Eu é que sei os planos e pensamentos que tenho para vocês, planos de paz e não de mal, para lhes dar esperança e um futuro.”

Essa promessa foi dada a pessoas vivendo incerteza, medo e exílio.
Pessoas que já não conseguiam enxergar claramente o amanhã.

E talvez por isso a esperança ocupe um lugar tão importante nas Escrituras.

Porque a esperança verdadeira não nasce do controle humano.
Ela nasce da confiança em Deus.

“Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura.”

Não uma esperança frágil.
Não um pensamento positivo vazio.
Mas uma âncora.

Algo que permanece firme mesmo em meio às tempestades da vida.


Talvez por isso Jesus tenha dito:

“Não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.”

Isso não é um convite à irresponsabilidade.

Jesus não está dizendo para abandonar o trabalho, a família ou os compromissos.

Ele está nos convidando a sair da ansiedade produzida pela tentativa de controlar aquilo que pertence somente a Deus.

Porque existe uma diferença enorme entre:

  • planejar,
  • e tentar ocupar o lugar de Deus.

O homem deseja controlar o futuro.
Mas Deus nos chama para viver guiados.


O Reino de Deus não parece apenas um destino futuro.

Ele começa agora.

É o governo de Deus sobre a vida.
É aprender a andar no Espírito.
É viver em dependência.
É sair da ilusão de autonomia.

Foi exatamente isso que o homem perdeu no Éden.

Mas Jesus apresenta outro caminho.

“Eu sou a videira verdadeira.”

E Paulo fala sobre sermos enxertados.

A imagem é muito profunda.

O ramo não produz vida sozinho.
Ele recebe vida da fonte.

Talvez por isso o descanso verdadeiro não venha do tamanho dos celeiros.
Nem da conta bancária.
Nem do poder.
Nem da falsa sensação de controle.

O descanso verdadeiro nasce da confiança.

Da consciência de que:

  • Deus continua sendo Senhor;
  • o amanhã pertence a Ele;
  • e a vida flui dEle.

Por isso Jesus nos chama de volta para o HOJE.

O passado já não pode ser alterado.
O futuro ainda não chegou.

Mas hoje podemos ouvir a voz do Espírito Santo.
Hoje podemos permanecer na videira.
Hoje podemos entrar no descanso de Deus.

Talvez a maturidade espiritual não esteja em saber todos os detalhes sobre o futuro.

Talvez esteja em aprender a caminhar em paz sem precisar controlar tudo.

“O descanso verdadeiro não nasce do controle do futuro, mas da confiança em Deus.”

Porque o possível pertence ao homem.
Mas o impossível pertence a Deus.

E Ele é o Senhor.

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