Todos nós pensamos no futuro.
E talvez justamente por isso Jesus tenha feito um dos convites mais profundos das Escrituras:
“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”
Porque, no fundo, uma das maiores sobrecargas humanas talvez seja justamente o peso do amanhã.
Quando somos crianças, o futuro parece distante.
Mas, à medida que crescemos, começamos a perceber a fragilidade da vida:
E quase sem perceber, começamos a construir celeiros.
Alguns acumulam dinheiro.
Outros acumulam conhecimento.
Outros acumulam poder.
Outros tentam controlar tudo.
No fundo, muitas vezes estamos apenas tentando construir algum tipo de segurança contra o futuro.
Jesus contou uma parábola extremamente profunda sobre isso.
Um homem teve uma grande colheita.
Seus campos produziram tanto que seus celeiros já não eram suficientes.
Então ele pensou:
“Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens.”
E então disse para si mesmo:
“Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se.”
Mas Deus lhe respondeu:
“Louco! Esta noite pedirão a sua vida.”
A questão aqui não parece ser a existência dos celeiros.
A Bíblia não condena o trabalho, a prudência ou a organização.
O problema está na ilusão de controle.
Aquele homem acreditava que agora sua vida estava garantida.
Como se o futuro pudesse finalmente ser dominado.
Mas existe algo que o ser humano precisa compreender:
A vida não está sob o nosso controle.
Podemos planejar.
Podemos construir.
Podemos plantar.
Podemos trabalhar.
Mas não controlamos nem mesmo o próximo respirar.
E talvez seja exatamente por isso que Deus declara em Jeremias:
“Eu é que sei os planos e pensamentos que tenho para vocês, planos de paz e não de mal, para lhes dar esperança e um futuro.”
Essa promessa foi dada a pessoas vivendo incerteza, medo e exílio.
Pessoas que já não conseguiam enxergar claramente o amanhã.
E talvez por isso a esperança ocupe um lugar tão importante nas Escrituras.
Porque a esperança verdadeira não nasce do controle humano.
Ela nasce da confiança em Deus.
“Temos esta esperança como âncora da alma, firme e segura.”
Não uma esperança frágil.
Não um pensamento positivo vazio.
Mas uma âncora.
Algo que permanece firme mesmo em meio às tempestades da vida.
Talvez por isso Jesus tenha dito:
“Não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.”
Isso não é um convite à irresponsabilidade.
Jesus não está dizendo para abandonar o trabalho, a família ou os compromissos.
Ele está nos convidando a sair da ansiedade produzida pela tentativa de controlar aquilo que pertence somente a Deus.
Porque existe uma diferença enorme entre:
O homem deseja controlar o futuro.
Mas Deus nos chama para viver guiados.
O Reino de Deus não parece apenas um destino futuro.
Ele começa agora.
É o governo de Deus sobre a vida.
É aprender a andar no Espírito.
É viver em dependência.
É sair da ilusão de autonomia.
Foi exatamente isso que o homem perdeu no Éden.
Mas Jesus apresenta outro caminho.
“Eu sou a videira verdadeira.”
E Paulo fala sobre sermos enxertados.
A imagem é muito profunda.
O ramo não produz vida sozinho.
Ele recebe vida da fonte.
Talvez por isso o descanso verdadeiro não venha do tamanho dos celeiros.
Nem da conta bancária.
Nem do poder.
Nem da falsa sensação de controle.
O descanso verdadeiro nasce da confiança.
Da consciência de que:
Por isso Jesus nos chama de volta para o HOJE.
O passado já não pode ser alterado.
O futuro ainda não chegou.
Mas hoje podemos ouvir a voz do Espírito Santo.
Hoje podemos permanecer na videira.
Hoje podemos entrar no descanso de Deus.
Talvez a maturidade espiritual não esteja em saber todos os detalhes sobre o futuro.
Talvez esteja em aprender a caminhar em paz sem precisar controlar tudo.
“O descanso verdadeiro não nasce do controle do futuro, mas da confiança em Deus.”
Porque o possível pertence ao homem.
Mas o impossível pertence a Deus.
E Ele é o Senhor.
Cristo já vive em mim?