Essa é uma pergunta que os adultos fazem às crianças.
— Médico?
— Professor?
— Engenheiro?
— Jogador?
— Cantor?
E quase sempre a criança responde pensando na profissão que terá um dia.
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda escondida aí.
Porque crescer não é apenas ficar mais alto.
Todo ser humano cresce.
Mas nem todo ser humano amadurece.
Um bebê já é filho da sua família. Ele não precisa conquistar isso. Não precisa fazer provas ou merecer esse lugar. Ele já pertence.
Mas ele ainda precisa crescer.
E amadurecer.
Talvez exista algo parecido na vida espiritual.
A Bíblia diz:
“Agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser.”
1 João 3:2
Isso é muito bonito.
João não diz que ainda não somos nada.
Também não diz que tudo já está completo.
Ele preserva duas verdades ao mesmo tempo:
Agora somos.
E ainda não se manifestou plenamente.
Isso significa que a vida continua trabalhando em nós.
Ainda estamos crescendo.
Ainda estamos amadurecendo.
Ainda existe algo sendo revelado.
Existe uma diferença importante.
Crescer e amadurecer não são exatamente a mesma coisa.
Todo ser humano cresce.
Os anos passam.
O corpo muda.
O conhecimento aumenta.
Mas amadurecer é outra coisa.
Existem filhos que crescem, mas continuam agindo como crianças.
E isso não acontece apenas na infância.
Também pode acontecer na vida espiritual.
O tempo sozinho não produz maturidade.
Maturidade nasce quando aprendemos a amar, ouvir, servir e abrir espaço para Deus conduzir a nossa vida.
Talvez por isso a Bíblia não fale apenas de filhos.
Ela fala de filhos amadurecidos.
Filhos em quem a Vida de Deus começa a aparecer.
Talvez por isso seja tão difícil responder plenamente à pergunta:
Quem sou eu?
Normalmente respondemos com o nome, a profissão, a história ou aquilo que gostamos de fazer.
Mas tudo isso muda.
A criança cresce.
Os pensamentos mudam.
As opiniões mudam.
O corpo muda.
Então talvez a pergunta mais profunda não seja apenas:
Quem sou eu?
Mas:
O que ainda está sendo formado e revelado em mim?
Isso ajuda a entender uma frase muito conhecida de João Batista:
“Importa que ele cresça e eu diminua.”
João 3:30
João não estava falando de desprezar a si mesmo ou perder o próprio valor.
Ele falava de amadurecimento.
Quando somos pequenos, pensamos muito em nós mesmos.
Queremos controlar.
Queremos aparecer.
Queremos ter razão.
Mas amadurecer é aprender a abrir espaço para algo maior do que nós.
Talvez por isso Jesus tenha mostrado um caminho tão diferente.
Ele não veio apenas ensinar regras ou criar uma religião.
Veio mostrar como um ser humano pode viver guiado por Deus.
E isso muda o significado da velha pergunta que fazemos às crianças:
O que você vai ser quando crescer?
Talvez a resposta não seja apenas uma profissão.
Talvez a resposta seja:
Filho maduro.
O apóstolo Paulo escreveu algo impressionante:
“A criação aguarda, com grande expectativa, a manifestação dos filhos de Deus.”
Romanos 8:19
Manifestação significa tornar visível aquilo que antes estava escondido.
Como a semente que já possui vida, mas ainda precisa crescer para mostrar o que carrega.
A criação não espera apenas homens mais inteligentes, mais ricos ou mais poderosos.
Paulo fala de filhos revelados.
Filhos amadurecidos.
Filhos em quem a Vida de Deus começa a aparecer.
E então João conclui com esperança:
“Quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é.”
1 João 3:2
Manifestar é tornar visível.
Revelar.
Trazer à luz aquilo que estava oculto.
Talvez por isso Paulo tenha chamado isso de:
“Cristo em vocês, a esperança da glória.”
Colossenses 1:27
Glória não é apenas brilho ou poder.
A verdadeira glória é a Vida de Deus aparecendo em seres humanos comuns.
Quando Cristo se manifesta em nós, aquilo que era invisível começa a aparecer:
amor,
alegria,
paz,
paciência,
benignidade,
bondade,
fidelidade,
mansidão,
e domínio próprio.
Essa é a esperança da glória:
Cristo em nós.
Talvez seja exatamente isso que a criação ainda espera ver.
Os filhos de Deus não nascem prontos.
Eles crescem…
amadurecem…
e, pouco a pouco, deixam Cristo aparecer.