Uma reflexão sobre consciência e o serviço público.
Vivemos em um tempo de grande desencanto com a política.
Basta acompanhar as notícias nacionais, ou mesmo as conversas locais, para perceber que a disputa pelo poder parece ocupar mais espaço do que a busca pelo bem comum.
Nas cidades do interior, essa realidade se torna ainda mais sensível.
Porque aqui nós conhecemos as pessoas. Não estamos falando apenas de partidos, cargos ou ideologias. Estamos falando de vizinhos, amigos e pessoas que encontramos no dia a dia.
Talvez por isso a política local doa mais: porque ela tem rosto, nome e história.
Em várias conversas com nossos vereadores, ouvi justificativas diferentes para escolhas semelhantes.
Um deles comentou que já tinha compromisso com um deputado de outra região.
Outro afirmou que a proposta de pensar o bem comum era válida, mas que seu grupo religioso já havia fechado apoio a candidatos específicos.
E um terceiro, com vários mandatos, me disse:
“Mostre-me um exemplo de vereador que eu possa seguir, e eu seguirei. Você precisa estar lá dentro para conhecer o sistema.”
Confesso que essa frase ficou ecoando em meu coração.
Porque, de fato, nem sempre encontramos exemplos claros a serem seguidos.
Esperar indefinidamente por alguém perfeito?
Desistir de fazer o que reconhecemos como certo?
Ou seguir aquilo que a nossa consciência, iluminada por Deus, nos convida a fazer?
Curiosamente, quando muitos procuram alguém para seguir, Jesus já havia feito um convite simples e profundo.
“Siga-me.”
E talvez essa seja uma palavra decisiva para o nosso tempo.
Porque, quando faltam exemplos humanos, isso ainda permanece.
A carta aos Hebreus nos oferece uma palavra muito profunda:
“… o Espírito eterno… purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo.”
Hebreus 9:14
Talvez essa seja uma das grandes necessidades do nosso tempo: homens e mulheres cuja consciência esteja sendo purificada para servir.
Não apenas políticos ou cidadãos religiosos.
Mas pessoas em quem Cristo esteja sendo formado.
Quando Pedro reconheceu quem era Jesus, ele declarou:
“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Mateus 16:16
Pedro não estava apenas repetindo uma informação religiosa.
Ele estava reconhecendo a vida de Deus manifesta em Jesus.
E Paulo afirmou:
“Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês.”
Gálatas 4:19
Talvez os filhos do Deus vivo sejam justamente aqueles em quem Cristo continua sendo formado pelo Espírito Santo.
Pessoas comuns, imperfeitas, mas guiadas por uma consciência cada vez mais sensível.
Quando faltam exemplos externos, ainda podemos ouvir …: “Siga-me.”
Talvez seja justamente aí que nasça uma nova esperança para a política, para as nossas cidades e para a nossa sociedade.
Não a esperança depositada em líderes perfeitos.
Mas a esperança de que Cristo continue sendo formado em seres humanos comuns, chamados a servir ao Deus vivo e ao outro com sinceridade de coração.
A política só recuperará sua dignidade quando o bem comum voltar a ser mais importante do que os interesses particulares, os compromissos de grupo e as disputas por fatias de poder.
E isso não depende apenas dos políticos, mas também de nós.
Do que valorizamos, toleramos e que estamos dispostos a construir juntos.
Por isso Paulo nos deixou uma advertência muito necessária:
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2
Não se conformar ao funcionamento de um sistema apenas porque todos dizem que ele funciona assim.
Porque uma consciência assim não se acostuma facilmente com aquilo que fere o bem comum.
Jesus falou sobre uma porta estreita e um caminho apertado que conduz à vida:
“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição…. estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”.
Mateus 7:13-14
Talvez a estrada estreita, também na vida pública, seja esta:
ouvir a consciência quando todos se adaptam ao sistema e seguem conveniências;
buscar o bem comum quando muitos disputam fatias de poder;
servir ao Deus vivo quando tantos servem apenas a interesses passageiros.
“Vocês são a luz do mundo…”
Mateus 5:14
Em tempos de desencanto, talvez a tentação seja apenas reclamar da escuridão.
Mas Jesus nos convida a algo maior: sermos luz.
Luz que revela outros caminhos, buscando o bem comum, e não se conforma aos padrões deste mundo.
Luz que continua seguindo Cristo, mesmo quando faltam exemplos ao redor.
Quando faltarem exemplos, consulte a sua consciência.
Quando o mundo pedir conformidade, renove a sua mente.
E, quando a escuridão parecer grande demais, lembre-se:
Vocês são a luz do mundo.
Porque quem segue Cristo permite que Ele governe a sua consciência.
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Amém