Quem é a verdadeira luz?

Quem é a verdadeira luz?

A luz resplandece nas trevas.

Quem é a verdadeira luz de João 1?

Antes de chegarmos à verdadeira luz de João 1, vale lembrar brevemente o que Paulo escreveu em Romanos.

Deus se manifestou aos homens. Mas, embora conhecessem a Deus, não o glorificaram como Deus nem lhe deram graças. Seus pensamentos se tornaram inúteis, e o coração deles se obscureceu.

Então Paulo repete três vezes uma expressão assustadora:

“Deus os entregou.”

Deus os entregou aos desejos de seus próprios corações.

Deus os entregou a paixões vergonhosas.

E, porque desprezaram o conhecimento de Deus, Deus os entregou a uma mente reprovável.

Paulo termina descrevendo aquilo que passa a preencher a vida humana: injustiça, maldade, avareza, perversidade, inveja, homicídio, discórdia, engano, malícia…

O homem não ficou sem manifestação de Deus.

Seu coração se obscureceu, e Deus o entregou.

É diante desse cenário que as primeiras palavras de João ganham uma força extraordinária:

“A luz resplandece nas trevas.”

E então surge a pergunta:

Quem é essa verdadeira luz?


No princípio

João começa antes de falar de Jesus.

Antes de João Batista.

Antes de Abraão.

Antes mesmo da criação.

“No princípio era o Verbo.”

O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Todas as coisas foram feitas por intermédio dele e, sem ele, nada do que foi feito se fez.

Existem, portanto, as coisas que foram feitas.

E existe aquele que, no princípio, era.

Mas João ainda não falou da luz.

Antes dela, aparece outra palavra:

Vida.


A vida era a luz

João escreve:

“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.”

Vale a pena preservar exatamente essa sequência:

Verbo → vida → luz dos homens.

A luz está inseparavelmente relacionada à vida.

E então João nos mostra o que essa luz faz:

“A luz resplandece nas trevas.”

Depois de Romanos 1, sentimos um pouco mais o peso dessa frase.

O coração humano se obscureceu.

E João anuncia:

A luz resplandece nas trevas.

Não são as trevas que produzem a luz.

A luz resplandece.


A verdadeira luz

Então João apresenta um homem enviado por Deus: João Batista.

Ele veio para testemunhar a respeito da luz.

Mas João faz questão de esclarecer:

“Ele não era a luz.”

Até que chegamos à expressão:

“A verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.”

Não apenas uma luz.

A verdadeira luz.

Ela vem.

Ela ilumina.

E, ainda assim:

“O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.”

A luz estava presente.

Mas o mundo não a reconheceu.


Um homem veio de noite

Pouco depois, João nos apresenta outro homem.

Seu nome era Nicodemos.

Fariseu, um dos principais dos judeus, alguém a quem o próprio Jesus chamaria de mestre em Israel.

Nicodemos conhecia as Escrituras.

Conhecia a religião.

Reconhecia os sinais.

E reconheceu alguma coisa extraordinária em Jesus:

“Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.”

Mas João registra um pequeno detalhe:

Nicodemos foi procurar Jesus de noite.

E Jesus lhe disse:

“Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”

Nicodemos sabia muitas coisas sobre Deus.

Mas Jesus lhe falou de ver.

E, logo depois, foi ainda além:

“Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.”

Agora temos duas palavras:

ver.

entrar.

E entre elas está algo que conhecimento algum pode produzir:

nascer do Espírito.

Talvez essa conversa continue tão atual porque é possível conhecer as Escrituras, conhecer doutrinas, reconhecer sinais, falar sobre Deus e até saber muitas coisas sobre o Reino.

Mas Jesus não convidou Nicodemos a simplesmente conhecer mais.

Falou-lhe de algo que precisava acontecer nele:

nascer do Espírito.

Para ver.

Para entrar.

Não precisamos olhar para Nicodemos com acusação.

Talvez seja melhor nos sentarmos ao lado dele, naquela noite, e ouvirmos a mesma pergunta silenciosa:

Eu apenas conheço as coisas do Reino — ou entrei nele?


O Verbo se fez carne

Voltamos ao início.

João escreve:

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.”

E acrescenta:

“Vimos a sua glória.”

Agora temos:

vida.

luz.

glória.

E, pouco depois, João menciona explicitamente:

Jesus Cristo.

Quem, então, é essa verdadeira luz?

Talvez seja hora de perguntar a Paulo.


Cristo, que é a nossa vida

Paulo escreve:

“Cristo, que é a nossa vida…”

João havia dito:

“Nele estava a vida.”

E:

“A vida era a luz dos homens.”

Paulo também escreve:

“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará.”

Cristo é nossa vida.

Cristo ilumina.

Mas é em outra carta que Paulo reúne quase todos os elementos que encontramos em João.


Deus resplandeceu em nosso coração

Paulo fala:

“…da luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.”

E logo depois:

“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.”

Paulo retorna à criação:

Das trevas resplandecerá a luz.

Mas agora o lugar onde Deus resplandece é surpreendente:

nosso coração.

Romanos havia nos deixado diante de um coração obscurecido.

Agora Paulo fala de Deus resplandecendo nesse mesmo lugar.

E a iluminação é:

“da glória de Deus, na face de Cristo.”

Talvez nossa pergunta esteja encontrando sua resposta.


Quem é a verdadeira luz?

João falou da vida que era a luz dos homens.

Paulo chama Cristo de nossa vida.

João falou da luz que ilumina.

Paulo diz:

“Cristo te iluminará.”

João falou da glória.

Paulo fala da:

“glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.”

As palavras de João e Paulo não são idênticas.

Mas sua convergência é extraordinária.

A verdadeira luz é Cristo.

E Paulo ainda nos conduz um pouco mais adiante.


Cristo em vocês

Paulo fala de um mistério:

“Cristo em vocês, a esperança da glória.”

A luz não permanece simplesmente diante do homem.

Deus:

“resplandeceu em nosso coração.”

Cristo:

“em vocês.”

Paulo ainda escreve:

“Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”

E:

“até ser Cristo formado em vocês.”

Agora podemos colocar lado a lado duas afirmações de Jesus:

“Eu sou a luz do mundo.”

“Vocês são a luz do mundo.”

Duas luzes?

Paulo nos oferece uma expressão muito simples:

“Agora vocês são luz no Senhor.”

Não uma fonte independente de luz.

Luz no Senhor.


Vocês são a luz do mundo

Jesus não disse:

“Tornem-se a luz do mundo.”

Disse:

“Vocês são a luz do mundo.”

Não é uma ordem para fabricar luz.

Voltamos ao começo:

“A luz resplandece nas trevas.”

A luz resplandece porque é luz.

Paulo explica:

“Cristo vive em mim.”

“Cristo em vocês.”

Talvez todo o caminho possa ser contemplado em poucas linhas:


O coração se obscureceu.
A luz resplandeceu nas trevas.
A verdadeira luz veio ao mundo.
Essa luz é Cristo.
Deus resplandeceu em nosso coração.
Cristo em nós.
Luz no Senhor.

E então podemos ouvir de outra maneira:

“Eu sou a luz do mundo.”

E:

“Vocês são a luz do mundo.”

Porque João havia dito:

“A vida era a luz dos homens.”

E Paulo nos revelou:

“Cristo, que é a nossa vida.”


Quem é esse Filho do Homem?

Em determinado momento, fizeram a Jesus uma pergunta direta:

“Quem é esse Filho do Homem?”

A resposta parece, à primeira vista, quase não responder à pergunta:

“Ainda por um pouco a luz está entre vocês. Caminhem enquanto vocês têm a luz, para que as trevas não os surpreendam.”

E acrescentou:

“Enquanto vocês têm a luz, creiam na luz, para que se tornem filhos da luz.”

Perguntaram:

Quem é esse Filho do Homem?

Jesus respondeu:

A luz.

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