A alegria que eu não conseguia encontrar

A alegria que eu não conseguia encontrar

A alegria da salvação é a verdadeira alegria

porque não era a verdadeira alegria

Durante muito tempo, eu não conseguia entender o que a Bíblia chama de alegria.

Eu lia:

“Alegrem-se sempre.”
“A alegria do Senhor é a nossa força.”
“O fruto do Espírito é… alegria.”

E, sinceramente, não encaixava.

Porque, quando eu olhava para a minha realidade, eu não via isso da forma como eu tinha aprendido a entender alegria.

O problema não era o texto

Hoje eu percebo que o problema não estava na Bíblia.

Estava na definição que eu carregava.

Eu aprendi, como todos nós, que alegria é:

  • sentir-se bem
  • estar leve
  • ter motivos externos positivos

Mas essa é a alegria do mundo.

E, sem perceber, eu estava lendo a Bíblia com essa lente.

E então veio a confusão

Porque a vida não funciona assim o tempo todo.

Há dias difíceis.
Há pressão.
Há dor.

E, nesses momentos, aquela “alegria” simplesmente não aparece.

Então o texto parecia distante… quase irreal.

Até que algo começou a mudar

Eu comecei a perceber algo muito simples:

“A minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá.”
(João 14:27)

Se a paz não é a mesma…

por que a alegria seria?

Uma alegria diferente

Aos poucos, fui entendendo:

a alegria que a Bíblia revela
não é emoção.

Não é euforia.
Não é ausência de dor.

A alegria que sustenta até a cruz

A Bíblia chega a um ponto onde essa diferença fica impossível de ignorar:

“…o qual, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a ignomínia…”
(Hebreus 12:2)

Se alegria fosse emoção… isso não faria sentido.

Porque a cruz não tem nada de leve.
Nada de agradável.
Nada de “feliz”.

E, ainda assim, o texto afirma:

havia alegria.

A ignomínia — o que isso significa?

Quando o texto fala de ignomínia, ele não está falando apenas de vergonha.

Ignomínia é mais profundo.

É a exposição pública da dignidade humana ao extremo.

Naquele contexto, a crucificação era:

  • humilhação pública
  • desonra diante de todos
  • exposição total
  • perda completa da dignidade aos olhos dos homens

A vergonha é a reação interna.

A ignomínia é o que vem de fora.

A ignomínia é imposta.
A vergonha é produzida dentro.

E o texto revela algo impressionante:

Jesus foi exposto à ignomínia máxima…
mas isso não definiu o que estava dentro dEle.

Então que alegria é essa?

Não pode ser algo que depende das circunstâncias.

É algo mais profundo.

Uma realidade interior tão forte
que sustenta o homem até no momento mais extremo. 

A alegria não evitou a cruz.

Mas deu força para atravessá-la.

Uma alegria que permanece, mesmo na perseguição

Essa mesma realidade aparece na vida dos apóstolos.

Depois de serem perseguidos e açoitados, o texto diz:

“Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome.”
(Atos 5:41)

Isso não faz sentido dentro da lógica natural.

Não há motivo humano para alegria ali.

E, ainda assim, eles estavam alegres.

Não porque a situação era boa…
mas porque havia algo dentro que não dependia da situação.

Porque Jesus havia dito:

“A sua tristeza se tranformará em uma alegria completa, e que ninguém pode tirar.”
(Jo 16:22-24)

O mesmo acontece com Estêvão.

Enquanto era apedrejado, ele não reage com desespero.
Não há revolta.
Não há perda do eixo.

Ao contrário, ele olha para o alto e diz:

“Vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à direita de Deus.”
(Atos 7:56)

A ignomínia estava ali.
A violência era real.

Mas havia uma realidade maior sendo vista.

E isso sustentava tudo.

E então algo fez sentido

Durante um tempo da minha vida, por causa da minha condição de saúde, as pessoas me perguntavam:

— Como você está?

E eu respondia:

— Estou em paz…

Nunca dizia que estava “bem”.

Hoje, eu respondo:

— Estou em paz… e estou bem…

Agora eu entendo

Esse “bem” não veio de fora.

Não foi porque tudo se resolveu.

Foi porque algo dentro ficou mais claro.

A alegria da salvação

A Bíblia diz:

“Devolve-me a alegria da tua salvação.”
(Salmo 51:12)

Essa alegria não é um sentimento passageiro.

É a percepção viva de que:

há vida em mim — apesar de tudo.

O que mudou em mim

Eu não passei a sentir algo novo.

Eu passei a enxergar algo que já estava ali.

A alegria deixou de ser uma expectativa
e passou a ser uma realidade reconhecida.

Um alívio silencioso

E isso trouxe alívio.

Porque tirou o peso de precisar “sentir alegria”.

Agora, eu não preciso produzir nada.

Só não confundir.

Um fechamento simples

A alegria que eu procurava…
não era a alegria real.

E talvez seja por isso que tanta gente também não consegue encontrá-la.

6 Comments

  1. Lica Sassi disse:

    Será que buscamos a alegria ou o desejo ?!
    Satisfazendo o desejo me sinto alegre …
    Ou buscamos satisfazer o desejo apenas …

    • Airton Humber disse:

      Na prática, acredito que a busca seja pelo desejo, porque desejamos aquilo que não temos, independentemente da consciência de bem e mal.
      Como a nossa inclinação natural é voltada para o mal, esse é o curso natural do homem sem a presença de Deus.
      A alegria é gerada pela presença do Divino dentro do homem, libertando-o dessa escravidão natural, e trazendo a possibilidade de andar em liberdade.
      Mas é apenas uma possibilidade que ele não tinha antes.
      A inclinação natural continua lutando para trazê-lo de volta e muitas vezes consegue isso.
      A alegria é a percepção desses livramentos de todos os tamanhos nesta nossa caminhada terrena.
      Cabe considerar ainda que isso não tem valor algum para a sociedade, por não conseguir sequer vislumbrar isso naturalmente.

  2. Luiz Augusto disse:

    A Bíblia foi traduzida do latim, que foi traduzida do grego antigo, que foi traduzida do aramaico, idioma que caiu em desuso. É importante apelarmos ao Espírito Santo para que este nos dê o perfeito entendimento da Palavra.
    Seguramente o que entendemos por alegria na língua portuguesa é diferente da plenitude, da paz que Jesus sentiu ao enfrentar a crucificação. Ele era um Deus, revestido de momentânea humanidade e, assim, na carne, sofreu o horrores suscetíveis à carne sem, no entanto, apavorar seu espírito. E isso é maravilhoso.

    • Airton Humber disse:

      Agradeço as suas considerações, meu amigo.

      Depois deste seu comentário, acrescentei dois novos tópicos:
      – um falando do tipo de alegria a que Jesus se refere
      – outro mostrando a ação dessa alegria nos apóstolos e em Estevão.

      Motivo: o que aconteceu com Jesus, que estava na mesma condição humana nossa, sua e minha, aconteceu também com seus discípulos.
      E, desde então, esse processo vem se reproduzindo em todos os que procuram andar no Espírito.

  3. JEFFERSON DOMINGUES disse:

    Nós descobrimos que a verdadeira alegria não vem de mudanças externas, mas de reconhecer algo que já existe dentro de nós.
    Quando paramos de tentar sentir e começamos a enxergar, encontramos paz

  4. Vitor Garcia disse:

    Ah esse mistério da vida com Deus! O tempo todo esquecemos, nos apegamos as coisas, às pessoas. Sem perceber perdemos a alegria que Deus colocou em nós naquele momento de busca. Aquela alegria indescritível, a paz que excede o entendimento. Como é bom voltar a perceber que tudo o que precisamos é Ele, as coisas vão dar um gosto de gratidão, mas não de dependência nem de carência. Obrigado por essa mensagem pastor. Grandes coisas fez o SENHOR por nós, e por isso estamos alegres” é um versículo bíblico, Salmos 126:3

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