A bondade do Senhor

Pérola sob a luz do Senhor

Moisés fez um pedido extraordinário:

“Mostra-me a tua glória.”

E a resposta do SENHOR talvez seja ainda mais extraordinária:

“Farei passar toda a minha bondade diante de você e proclamarei o meu nome, o SENHOR.”

Moisés pediu para ver a glória.

O SENHOR fez passar diante dele a sua bondade.

Talvez exista aqui uma pista muito simples para conhecê-lo.


O amor que não vemos

Deus é amor.

Mas o amor é invisível.

Não podemos enxergá-lo diretamente. Ele precisa tornar-se sensível, perceptível, alcançar o outro.

Paulo chama de fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Talvez possamos contemplar essa sequência não apenas como uma lista de qualidades independentes, mas como um processo de formação — sem pretender que Paulo esteja estabelecendo etapas, apenas prestando atenção à ordem em que colocou as palavras.

Tudo começa no amor.

O amor nos alcança e produz alegria.

A alegria encontra repouso na paz.

E quando essa paz atravessa o tempo, a dificuldade e as relações, aparece a paciência.

Até que o mal nos alcança.

É aí que o fruto começa a ser provado na relação com o outro.


A ostra e a pérola

Uma ostra oferece uma imagem muito bonita.

Quando algo a agride, ela não simplesmente o devolve. Ela o envolve, camada após camada.

Assim pode ser a amabilidade.

Recebemos alguma coisa que machuca, mas ela não precisa atravessar-nos e sair de nós da mesma maneira que entrou.

A amabilidade envolve o mal recebido.

E então aparece a bondade.

A bondade é como a pérola: aquilo que finalmente oferecemos ao mundo.

Praticamos o bem, recebemos o mal e continuamos praticando o bem.

Paulo escreveu:

“Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.”

E também:

“A bondade de Deus conduz você ao arrependimento.”

Talvez seja justamente na bondade que o amor invisível começa a tornar-se sensível ao outro.


Ele permanece fiel

Mas o processo não termina aí.

Continuar praticando o bem depois de receber o mal é fidelidade.

“Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.”

Nossa infidelidade não faz Deus tornar-se infiel.

O que fazemos contra ele não determina quem ele será.

Ele permanece fiel.

Fidelidade é o bem permanecer bem mesmo depois de receber o mal.

E essa fidelidade ao caminho vai nos amansando.

Chegamos à mansidão.

Até que esse amansamento alcança também nossas reações mais difíceis de controlar.

Chegamos ao domínio próprio.

Tiago diz que aquele que não tropeça no falar é homem maduro, capaz de refrear também todo o corpo.

Talvez um dos últimos lugares em que o mal recebido precise deixar de governar nossa resposta seja justamente a língua.

Alguém nos fere.

A palavra chega até nós.

Mas já não precisa encontrar nossa boca disponível para continuar sua viagem.

O mal pode parar em nós.


A outra face

E então talvez possamos ouvir de outra maneira uma das palavras mais difíceis de Jesus:

“Se alguém bater em você numa face, ofereça-lhe também a outra.”

Talvez oferecer a outra face seja mais do que simplesmente suportar outra agressão.

É não permitir que a face daquele que me feriu determine a face que apresentarei a ele.

Ele me apresenta ira.

Eu não preciso tornar-me ira.

Ele me apresenta desprezo.

Eu não preciso tornar-me desprezo.

Ele me apresenta maldade.

Eu não preciso devolver a sua imagem.

Posso oferecer outra face.


A face de Cristo

Paulo fala de Cristo, que é a imagem de Deus.

E fala também do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo.

Deus é invisível.

Deus é amor.

Mas alguma coisa desse Deus invisível pode tornar-se visível numa face que continua oferecendo bondade mesmo depois de receber o mal.

E então podemos ouvir também as palavras de Jesus:

“Que vejam as boas obras de vocês e glorifiquem o Pai de vocês que está nos céus.”

Eles veem.

A bondade tornou-se sensível.

Mas a glória não termina naquele que praticou o bem.

O Pai é glorificado.


Talvez por isso a resposta do SENHOR a Moisés seja tão bonita:

“Mostra-me a tua glória.”

“Farei passar toda a minha bondade diante de você.”

O amor que não víamos tornou-se bondade que alguém pôde experimentar.

E talvez seja isso que começa a acontecer conosco quando o fruto do Espírito vai sendo formado.

Recebemos o mal e não devolvemos a sua imagem.

A amabilidade o envolve.

A bondade oferece o bem.

A fidelidade permanece.

A mansidão vai nos transformando.

O domínio próprio alcança até a nossa língua.

E talvez, nessa outra face, comece a aparecer alguma coisa da face de Cristo.

A bondade do Deus invisível tornando-se sensível ao outro.

E o Pai é glorificado.


Referências bíblicas:
Êxodo 33:18–19; Êxodo 34:5–7; Mateus 5:16, 39; Romanos 2:4; Romanos 12:21; Gálatas 5:22–23; 2 Timóteo 2:13; Tiago 3:2–6; 2 Coríntios 4:4–6; Colossenses 1:15; 1 João 4:8,12.


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1 Comment

  1. João Carlos de Carvalho disse:

    Ainda bem que a bondade de Deus me alcança sempre, redundante a todo momento e eu lentamente vou aprendendo a sentir.

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