Carta Aberta ao Povo de Itapeva – Julho de 2025

Carta Aberta ao Povo de Itapeva – Julho de 2025

Carta aberta

Carta aberta

Não escrevo esta carta para defender nomes, partidos ou bandeiras.
Escrevo como cidadão. Como cristão. Como alguém que ama esta terra, conhece sua história e carrega no coração o desejo sincero de ver nossa região prosperar.

A nova prefeita assumiu seu mandato há poucos meses, em janeiro. E o que se viu, desde o início, foi uma Câmara Municipal que escolheu o confronto ao invés da colaboração. Críticas à escolha dos secretários vieram antes mesmo que o trabalho pudesse começar. O clima de disputa foi instalado. E agora, falam até em cassação.

Isso não é novo. Mas é lamentável.

E, infelizmente é um retrato fiel do que se repete em tantos lugares:
executivo e legislativo se enfrentando, como se o cargo fosse um fim em si mesmo — e não um meio de servir.

Mas eu me pergunto: e nós, o povo? E nós, os que nos dizemos cristãos? Que jogo estamos jogando?

É fácil olhar para o passado e apontar erros. Difícil é olhar para o futuro com esperança.
É fácil repetir acusações para destruir. Desafiador é construir.

O maligno tem um jogo: roubar, matar e destruir.
Esse é o jogo dos interesses, da vaidade, da disputa por poder.
Mas o nosso chamado é outro.
Somos chamados a orar pela paz da cidade para onde fomos colocados —
porque na paz da cidade teremos também a nossa paz (Jeremias 29:7).

É tempo de deixar de lado a luta por controle.
É tempo de olhar para o bem comum.
E mais ainda: é tempo de sermos coerentes com a fé que professamos.

Nossas frágeis convicções cristãs se mostram impotentes diante do peso do jogo político.
E isso deveria nos levar a refletir — não sobre os outros, mas sobre nós mesmos.

Não se trata de apoiar cegamente. Nem de fazer oposição por oposição.
Trata-se de compreender que, sem unidade, uma cidade se paralisa.
E o povo continua pagando a conta.

Itapeva não está sozinha nesse drama. Toda a nossa região tem vivido o mesmo abandono, as mesmas disputas e a mesma falta de visão de futuro.
Foi por isso que criamos, com um grupo de amigos, o site sulpaulista.com.br.
Ali, registramos não apenas a história do esquecimento do Sudoeste Paulista, mas também lançamos um desafio: e se nós começássemos a nos unir? E se a solução estivesse na própria região?

Sabemos que é um desafio gigantesco. Mas acreditamos que é o único caminho real para uma transformação profunda.
Não queremos mais ser o sul esquecido de São Paulo. Queremos ser lembrados — e mais do que isso, queremos ser responsáveis pelo nosso próprio futuro.

Por isso, faço um apelo à consciência de cada cidadão e cidadã desta cidade:
Que nosso critério não seja a torcida, mas a verdade.
Que nosso foco não seja o passado, mas o futuro.
E que nossa ação não seja movida pelo medo ou pela raiva — mas pela esperança.

O poder, sem responsabilidade, é barulho.
E barulho não constrói cidades.
Mas o amor ao outro, o compromisso com a verdade e a esperança no futuro… constroem legados.

Com respeito e esperança,


Airton Humber

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