Carta aberta
Não escrevo esta carta para defender nomes, partidos ou bandeiras.
Escrevo como cidadão. Como cristão. Como alguém que ama esta terra, conhece sua história e carrega no coração o desejo sincero de ver nossa região prosperar.
A nova prefeita assumiu seu mandato há poucos meses, em janeiro. E o que se viu, desde o início, foi uma Câmara Municipal que escolheu o confronto ao invés da colaboração. Críticas à escolha dos secretários vieram antes mesmo que o trabalho pudesse começar. O clima de disputa foi instalado. E agora, falam até em cassação.
Isso não é novo. Mas é lamentável.
E, infelizmente é um retrato fiel do que se repete em tantos lugares:
executivo e legislativo se enfrentando, como se o cargo fosse um fim em si mesmo — e não um meio de servir.
Mas eu me pergunto: e nós, o povo? E nós, os que nos dizemos cristãos? Que jogo estamos jogando?
É fácil olhar para o passado e apontar erros. Difícil é olhar para o futuro com esperança.
É fácil repetir acusações para destruir. Desafiador é construir.
O maligno tem um jogo: roubar, matar e destruir.
Esse é o jogo dos interesses, da vaidade, da disputa por poder.
Mas o nosso chamado é outro.
Somos chamados a orar pela paz da cidade para onde fomos colocados —
porque na paz da cidade teremos também a nossa paz (Jeremias 29:7).
É tempo de deixar de lado a luta por controle.
É tempo de olhar para o bem comum.
E mais ainda: é tempo de sermos coerentes com a fé que professamos.
Nossas frágeis convicções cristãs se mostram impotentes diante do peso do jogo político.
E isso deveria nos levar a refletir — não sobre os outros, mas sobre nós mesmos.
Não se trata de apoiar cegamente. Nem de fazer oposição por oposição.
Trata-se de compreender que, sem unidade, uma cidade se paralisa.
E o povo continua pagando a conta.
Itapeva não está sozinha nesse drama. Toda a nossa região tem vivido o mesmo abandono, as mesmas disputas e a mesma falta de visão de futuro.
Foi por isso que criamos, com um grupo de amigos, o site sulpaulista.com.br.
Ali, registramos não apenas a história do esquecimento do Sudoeste Paulista, mas também lançamos um desafio: e se nós começássemos a nos unir? E se a solução estivesse na própria região?
Sabemos que é um desafio gigantesco. Mas acreditamos que é o único caminho real para uma transformação profunda.
Não queremos mais ser o sul esquecido de São Paulo. Queremos ser lembrados — e mais do que isso, queremos ser responsáveis pelo nosso próprio futuro.
Por isso, faço um apelo à consciência de cada cidadão e cidadã desta cidade:
Que nosso critério não seja a torcida, mas a verdade.
Que nosso foco não seja o passado, mas o futuro.
E que nossa ação não seja movida pelo medo ou pela raiva — mas pela esperança.
O poder, sem responsabilidade, é barulho.
E barulho não constrói cidades.
Mas o amor ao outro, o compromisso com a verdade e a esperança no futuro… constroem legados.
Com respeito e esperança,
Airton Humber
Os demônios não são ateus
Você Ama o Amor?