Os demônios não são ateus
Eles creem em Deus — e tremem.
Mas não se dobram. E você?
Vivemos em um tempo curioso: muita gente diz que crê em Deus. Até os demônios creem — e tremem. Mas nem por isso são salvos. Crer, por si só, não significa reconhecer a autoridade de Deus. E é exatamente isso que a igreja moderna tem perdido.
Desde o primeiro versículo da Bíblia, Deus se revela como Criador: “No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1). Isso ninguém pode negar — nem o diabo. Toda criação está sujeita a Ele — em existência, mas não necessariamente em obediência.
E aqui está a grande diferença: Ele é Deus por natureza. Mas será SENHOR para mim apenas se eu me dobrar.
A palavra SENHOR (YHWH) é mais do que um título: é uma declaração de autoridade e aliança. Já a palavra Senhor (Adonai, Kyrios) expressa domínio, posse, soberania. Ambas só fazem sentido dentro de um relacionamento de rendição.
Tiago escreveu algo surpreendente: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem — e tremem!” (Tiago 2:19)
Ou seja, o problema dos demônios não é teológico. Eles não são ateus. Eles sabem exatamente quem Deus é — e tremem. Mas não se dobram. Não O reconhecem como SENHOR.
É possível saber tudo sobre Deus e ainda assim viver em rebelião. É possível frequentar igrejas, cantar louvores, fazer orações — e nunca ter se rendido à autoridade de Deus.
Grande parte da pregação cristã nos últimos anos trocou o reconhecimento da autoridade de Deus por um convite emocional:
“Aceite Jesus no seu coração.” “Dê uma chance para Deus mudar sua vida.” “Você tem o direito de ser feliz, venha para Jesus.”
Com isso, colocamos o pecador numa posição de escolha soberana, e colocamos Jesus na posição de um candidato — que espera, implora e torce para ser aceito.
Mas a Bíblia não apresenta Deus assim. Ele não pede permissão para ser Deus. Ele ordena que todo homem se arrependa. Ele governa céus e terra. Ele julgará vivos e mortos. Ele é o SENHOR.
O próprio Jesus não fazia convites suaves. Ele dizia: “Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” “Quem quiser salvar a sua vida, a perderá.” “Por que me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu mando?”
Não há neutralidade diante do SENHOR. Ou nos rendemos — ou resistimos. Ou reconhecemos Sua autoridade — ou nos colocamos acima Dele.
Muita gente quer o perdão de Jesus, mas não quer obedecer a Jesus. Quer a salvação, mas não a renúncia. Quer o céu, mas não quer abrir mão do controle da própria vida.
Mas Jesus deixou claro: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.” (João 14:15)
Não se trata de perfeição — trata-se de rendição. De deixar de ser dono de si. De reconhecer: Ele é o SENHOR. Eu sou servo.
A Igreja precisa voltar a ensinar que Deus é Santo, e que diante Dele ninguém permanece em pé por mérito. Mas que todo aquele que se curva em arrependimento e fé será recebido — e transformado.
Não é um favor que fazemos a Deus. É graça que recebemos Dele.
E a resposta a essa graça não pode ser indiferente. Tem que ser entrega. Tem que ser obediência. Tem que ser reverência.
A autoridade espiritual não está na eloquência de um pregador. Está no reconhecimento de que Jesus Cristo é o SENHOR — e que toda língua um dia confessará isso.
Mas há um tempo para se dobrar em amor… e um tempo em que todos se dobrarão em juízo.
Que seja agora, em fé e humildade. Porque Ele é o SENHOR. E isso muda tudo.
Medo, Respeito e Temor
Carta Aberta ao Povo de Itapeva - Julho de 2025