Nunca mais me calarei por vergonha
Falar sobre arrependimento nem sempre é fácil.
Mas quando o arrependimento nasce da luz que o próprio Senhor acende dentro de nós, ele deixa de ser culpa… e se torna correção em amor.
Participei ontem deste podcast. Foi a primeira vez que falei publicamente sobre esse trabalho — as reflexões, os textos e, principalmente, sobre o Reino de Deus que se manifesta com simplicidade.
Numa conversa pela manhã, antes da gravação, contei ao entrevistador uma experiência muito marcante que vivi no Rio de Janeiro, em 2019. Ele se impressionou com a história. E, no meio do podcast, me pediu para contá-la ao público.
Mas eu não contei.
Achei que seria loucura demais.
Fiquei com receio do que iriam pensar de mim.
E percebi, mais tarde, com dor e clareza, que não glorifiquei o nome do Senhor para preservar o meu.
Me calei num momento em que deveria ter engrandecido Aquele que tem me guiado e me surpreendido todos os dias.
Me calei diante de um povo que tem pouco conhecimento Dele — e que poderia ter visto algo real, ainda que simples.
Hoje cedo, o Senhor me mostrou isso com doçura e firmeza. E me arrependi profundamente.
Compartilhei esse arrependimento com alguns amigos e familiares. E, para minha surpresa, eles não me julgaram. Pelo contrário: pediram para que eu contasse a história.
Então, aqui estou — não mais tentando preservar meu nome, mas buscando glorificar o Dele.
Foi em fevereiro de 2019. Antes da ida, minha esposa e eu estávamos preocupados com a viagem por causa do vôo e das chuvas. Eu cheguei ao Rio de Janeiro no final da tarde do dia 12, para participar como convidado de um evento para treinamento da equipe comercial da Capemisa Seguradora. Estava chovendo, e todos falavam com apreensão sobre o dia seguinte, 13 de fevereiro.
Diziam que seria um dia caótico, de tempestades, ventania, alagamentos.
E, de fato, a previsão era séria:
Segundo o UOL (em colaboração com a Climatempo), o cenário era de queda significativa de temperatura — de cerca de 35 °C para 27 °C — com chegada de uma frente fria e uma massa de ar que traria uma chuva volumosa de até 70 mm, com rajadas de vento próximas a 100 km/h.
A Prefeitura do Rio de Janeiro havia cancelado as aulas da rede municipal no turno da tarde, e suspendido eventos públicos, como o jogo do Vasco previsto no Maracanã naquela noite.
Tudo indicava que o dia 13 seria instável, perigoso e imprevisível.
Mas, naquele fim de tarde, ao conversar com o recepcionista do hotel, eu disse:
“Não vai acontecer catástrofe nenhuma amanhã.”
Ele me olhou surpreso e perguntou:
“Por que não?”
E eu respondi, sem pensar muito:
“Porque eu estou aqui.”
Não falei isso com arrogância. Não foi prepotência.
Foi como se algo dentro de mim soubesse — com serenidade — que a paz de Deus estava ali, naquele lugar, naquele dia.
E essa paz bastava.
No dia seguinte, fiz minha caminhada matinal pelas ruas tranquilas da cidade.
Caiu apenas uma garoa leve.
À tarde fui para o evento.
O trânsito estava calmo, porque muitos haviam ficado em casa com medo da previsão.
O evento aconteceu normalmente.
Nada do que estava previsto se concretizou.
O dia terminou em paz.
À noite, após o jantar, pedi um Uber até o hotel. A motorista era uma mulher simples, e comentou que havia escapado do caos previsto. Eu brinquei novamente:
“Não aconteceu nada… porque eu estou aqui.”
Ela me olhou com estranheza. Ficou em silêncio por um tempo… e depois começou a contar uma história.
Naquela manhã, enquanto levava a filha para o colégio, um motoqueiro parou ao lado do carro e roubou seu celular pela janela.
Ela ficou desesperada, pois dependia do aparelho para trabalhar.
Mas continuou o trajeto, chorando.
Alguns semáforos à frente, outro motoqueiro parou ao lado. Era o mesmo assaltante.
Ele mandou abrir o vidro… e devolveu o celular.
Ela ficou chocada. Disse que nunca viu nada parecido.
E, ao terminar de contar, começou a chorar e me agradecer — sem parar.
Não porque eu tivesse feito algo. Mas porque, de alguma forma, ela sentiu que Deus estava com ela naquele momento.
E agora, olhando para tudo isso, entendo com mais clareza o que realmente aconteceu.
Naquele dia, eu não impedi uma chuva.
Eu também não causei nada.
Mas a presença de Deus estava ali.
E, por graça, Ele me fez perceber que a nossa comunhão com Ele carrega efeitos que a gente nem sempre entende.
O Reino de Deus não é barulho nem plateia. É presença, paz e verdade.
E foi por isso que me arrependi de ter me calado no podcast.
Porque não é sobre mim. É sobre Ele.
E quando Ele realiza algo — por menor que pareça — é nosso papel bendizer, glorificar e engrandecer Seu nome.
Fica aqui o meu testemunho.
E a minha oração:
“Senhor, que eu nunca mais me cale por vergonha. Que eu fale com temor, com verdade e com humildade. Que o Teu nome seja sempre engrandecido. E que eu diminua.”
Ser bênção é bendizer
Quando a luz assusta mais que as trevas