Quando a luz assusta mais que as trevas

Quando a luz assusta mais que as trevas

Medo da luz

Medo da luz

Tive uma conversa simples com um amigo, mas que acendeu uma luz muito forte dentro de mim.
Ele trabalha na área médica, e comentou comigo algo que ouve com frequência:
muitos pacientes mais velhos que buscaram o mundo espiritual, de alguma forma, chegam até ele com dores, limitações físicas, doenças crônicas.

E ele disse isso com um tom de alerta, de cuidado, quase como quem faz uma recomendação:
“É melhor não mexer com essas coisas…”

Na hora, eu só escutei. Mas aquela frase ficou ecoando dentro de mim.

Percebi que o medo dele não era exatamente das trevas.
Era da luz.
Não era o mal que o assustava — era a possibilidade do invisível, do espiritual, do que não se explica.

E isso me tocou profundamente, porque eu mesmo tenho vivido isso no meu próprio corpo.

Há poucos anos, comecei um blog onde compartilho reflexões sobre as Escrituras — não de forma religiosa, mas buscando o espírito da Palavra, a beleza da simplicidade, a verdade que transforma.
E exatamente uma semana depois que comecei o blog, meu corpo começou a dar sinais de parkinsonismo.
Um quadro progressivo, sutil, mas bem real.
E o curioso — ou espiritual — é que eu estava no auge da forma física para minha idade. Me sentia quase um atleta.
Trabalhando bem, firme no propósito, em paz.

E de repente, veio essa limitação.

Muitos poderiam dizer:
“Tá vendo? Foi mexer com o mundo espiritual e adoeceu…”

Mas eu vejo com outros olhos.

Vejo o que Paulo viu quando escreveu sobre o seu “espinho na carne” — algo que o limitava, o incomodava, mas que ele entendeu como necessário:

“Foi-me dado um espinho na carne… para que eu não me exaltasse.”
(2 Coríntios 12:7)

´É assim que me sinto.
Naquele momento, eu estava recebendo tantas revelações, com tanta clareza e intensidade…
que, sem esse limite, eu teria me perdido.
Na vaidade, na pressa, na arrogância de quem acha que já entendeu tudo.

Esse espinho no meu corpo não é um castigo.
É um freio.
É uma proteção.
É uma forma de Deus me lembrar, todos os dias, que a força não está em mim — mas n’Ele.

E ao lembrar da fala do meu amigo, uma imagem me veio forte à mente:
É como se o diabo tivesse conseguido cercar a luz com arame farpado, com uma placa enorme:
“PERIGO — NÃO ULTRAPASSE.”
Como se o espiritual verdadeiro fosse proibido, perigoso, assustador.

E do lado de fora desse cercado, ele liberou tudo o que tem de pior — egoísmo, mentira, vícios, espiritualidades falsas — mas rotulou tudo como “normal”, “liberdade”, “vida moderna”, “experiência pessoal”.

E assim seguimos:
com medo da luz… e totalmente adaptados às trevas.

Aliás, naquele mesmo momento da conversa, eu disse a ele algo que me veio com força e clareza:
“Hoje em dia, a gente só tem medo do bem. Do mal, a gente se acostumou.”

E quanto mais penso nisso, mais percebo que é verdade.
Vivemos num mundo tenebroso, mergulhado em mentira, corrupção, competição, egoísmo, doenças emocionais…
E ninguém tem medo disso.
Chamamos de “vida normal”.

Mas quando alguém começa a buscar o mundo invisível — o mundo de Deus, o mundo da verdade — logo vem o alerta:
“Cuidado com isso…”
“Melhor não mexer…”

E é aí que está a distorção.
As pessoas não têm medo do mal.
Têm medo da luz.
Porque a luz revela. E ao revelar, confronta.
Mas só a luz pode curar.

O mundo espiritual não é neutro.
Ou é luz — ou é trevas disfarçadas.
E o corpo, muitas vezes, manifesta aquilo que a alma não entendeu.
Por isso tanta gente sofre sem saber por quê.

Eu sigo com meu espinho.
Mas sigo com paz.
Porque sei que a graça de Deus me basta.
E sei que o poder d’Ele se aperfeiçoa na fraqueza.

Por isso, sigo escolhendo a luz.
Mesmo quando ela me confronta.
Mesmo quando ela dói.
Porque só nela há vida.

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